Acusado de crimes sexuais, criador do WikiLeaks é procurado pela Interpol | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 01.12.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Ciência e Saúde

Acusado de crimes sexuais, criador do WikiLeaks é procurado pela Interpol

A acusação, desta vez, não está ligada aos vazamentos promovidos pelo site. Julian Assange, que reivindicou a renúncia de Hillary Clinton, se diz vítima de conspiração. Equador retira oferta de asilo político.

default

Julian Assange

Depois de criar polêmica no mundo diplomático e atiçar a fúria dos Estados Unidos, o fundador do WikiLeaks é, agora, procurado pela Interpol. Julian Paul Assange, que aparece no site da polícia internacional como fugitivo, é acusado de crimes sexuais registrados na cidade sueca de Gotemburgo.

Segundo a Interpol – que não dispõe da foto de Assange para exibir em sua página –, um dos fundadores do site WikiLeaks é suspeito de ter estuprado duas mulheres no país escandinavo. Em 18 de novembro último, a polícia sueca emitiu o mandato de prisão contra Assange, que já pediu apelação.

Assange nega as acusações e se diz vitima de uma conspiração encabeçada pelo governo dos Estados Unidos. Em entrevista à revista Time nesta terça-feira (30/11), Assange pediu a renúncia de Hillary Clinton, já que, segundo ele, a secretária de Estado norte-americana teria incumbido seus diplomatas de uma ação pouco nobre: espionagem.

"Eles entendem que somos uma organização responsável, por isso estão tentando dificultar esta publicação ao máximo, na esperança de que consigam fazer com que não publiquemos mais nada", disse Assange.

Quem é esse homem

Julian Paul Assange nasceu na Austrália, em 3 de julho de 1971, na cidade de Townsville. Ele é hoje uma das figuras mais faladas na imprensa internacional, e também faz parte de diversos arquivos secretos de governos que não estão felizes com as revelações que tem feito na internet.

Durante a infância, o especialista em computação teria estudado em 37 escolas diferentes, acompanhando a mãe, que se mudou diversas vezes pela Austrália. Durante sua adolescência, Assange passou a desenvolver suas habilidades na área da computação – até 1995, ele já contabilizava mais de 25 processos e condenações por atuar como hacker.

Depois de ter flertado com o mundo do crime, Assange voltou-se para programação de computador e criptografia, chegando a trabalhar como consultor de segurança e para empresas de tecnologia da informação.

Descrito como "um pesquisador muito talentoso" pela acadêmica Suelette Dreyfus, com quem Assange trabalhou por três anos estudando o lado subversivo da internet, hoje o australiano é classificado como "temerário", "criminoso" e até "terrorista".

Foi em 2006 que ele e outros ativistas dos direitos humanos, profissionais de mídia e da área tecnológica fundaram o portal WikiLeaks.

Sempre com o pé na estrada

O WikiLeaks não tem um escritório oficial ou funcionários fixos. Voluntários que trabalham com Assange dizem que ele gosta de manter os endereços temporários em segredo, a fim de evitar que o trabalho seja interrompido por "força maior".

O cuidado para manter os arquivos e sites livres de interferência externa é tarefa pessoal do antigo hacker. E a comunicação entre as pessoas ligadas ao WikiLeaks ocorre por meio de serviços de chat encriptado – o próprio Assange muda constantemente seu e-mail e telefone celular.

O australiano, que morou longos períodos na Suécia e no Reino Unido, diz que defende os vazamentos de informações confidenciais promovidos pelo WikiLeaks em nome da justiça, verdade e transparência. O site é hospedado em mais de 20 servidores ao redor do mundo e tem milhares de domínios.

Procurado pela Interpol, malquisto por diversos países do mundo – inclusive pela Austrália, que apoia os Estados Unidos –, nesta terça-feira, Assange havia recebido o convite para asilar-se no Equador. Um dia depois, no entanto, o governo equatoriano voltou atrás e retirou a oferta.

Autores: Nádia Pontes / Catherine Bolsover
Revisão: Roselaine Wandscheer

Leia mais