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Mundo

Acordo nuclear irrita Netanyahu e divide israelenses

Primeiro-ministro não reconhece entendimento internacional em Genebra, que para ele tornou o Irã o "país mais perigoso do mundo". Imprensa e observadores ainda veem chance para Israel influenciar futuro pacto definitivo.

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Benjamin Netanyahu. "Maior vitória diplomática do Irã desde Khomeini"

Não demorou muito até que se fizessem ouvir os primeiros comentários irados sobre o entendimento entre as potências do Grupo 5+1 e o Irã. Enquanto os negociadores em Genebra se felicitavam mutuamente e o mundo falava de um "acordo histórico", de Tel Aviv partia, sobretudo, crítica maciça.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o consenso como "erro histórico". Segundo ele, o mundo se tornou um lugar mais perigoso, pois o regime mais perigoso do planeta deu agora um passo decisivo em direção à posse da arma mais perigosa do mundo, afirmou o político conservador.

Quase todo o seu gabinete ecoou a crítica. O ministro das Relações Exteriores, Avigdor Liebermann, disse tratar-se da "maior vitória diplomática da República Islâmica desde a revolução [do aiatolá] Khomeini". Outros compararam o consenso com o Acordo de Munique, que em 1938 preparou o caminho para a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto.

Apenas o presidente Shimon Peres pediu moderação, talvez também considerando as abaladas relações entre Israel e os Estados Unidos. Em suas palavras, tratou-se apenas de um acordo provisório, que deve ser julgado por seus resultados, não pelas palavras.

Atomeinigung mit dem Iran in Genf

Em Genebra, louvores recíprocos; críticas em Tel Aviv

Visão diferenciada da mídia nacional

Na imprensa israelense, o acordo interino está sendo debatido de forma mais acentuada e vem dividindo opiniões. "Como todos os demais países da região, Israel vai ter que se acostumar com o novo status do Irã, como país nuclear emergente", comentou, por exemplo, o jornal Yedioth Ahronoth. Isso não é bom, mas também não é o fim do mundo, continuou o diário de maior circulação nacional: isso, qualquer israelense é capaz de entender, quer seja perito em programas nucleares, quer não.

Por sua vez, o Ma'ariv, o segundo mais lido do país, observou que o momento "não é nem Munique em 1938 para Israel, nem o Tratado de Versalhes para os iranianos", e que um consenso provisório é melhor do que manter a situação atual.

No entanto, um aspecto que recebe atenção especial é o fato de o acordo ter sido alcançado justamente durante o mandato de Netanyahu, que declarou o programa nuclear de Teerã questão de primeiro escalão, e que não perde a ocasião de enfatizar a ameaça que, a seu ver, o Irã constituiria para a existência do país.

Agora, Israel está praticamente sozinho nesse seu posicionamento – contando, no máximo, com o apoio de alguns Estados do Golfo Pérsico.

Bons sinais e ceticismo

Para o analista Meir Javedanfar, a atitude do governo Netanyahu não é surpreendente, porém tampouco construtiva. "O governo fala por mim, como israelense, quando se trata de impedir que o Irã construa uma arma atômica. Mas ele não fala por mim, quando rejeita cada passo em direção a uma solução diplomática. Esse acordo pelo menos assegura que o Irã não possa trabalhar numa bomba, enquanto estamos em diálogo. É preciso lhe dar uma chance."

Positiva para o jornalista israelense nascido no Irã é a imposição de que Teerã permita visitas diárias de inspetores internacionais às suas instalações nucleares, e que a construção do reator nucelar em Arak esteja temporariamente suspensa. Mas decisivo agora, afirma Javedanfar, é o que acontecerá nos próximos seis meses.

Schwerwasserreaktor in Arak

Reator de água pesada em Arak

"O acordo não é motivo de festa, mas também não é um desastre absoluto", opina Emily Landau, especialista em assuntos iranianos do Instituto de Estudos Internacionais de Segurança (INSS), em Tel Aviv. Ao mesmo tempo, ela desaconselha que se suspendam outras sanções, além das já estipuladas, pois este seria o mesmo motivo pelo qual o Irã participa agora da mesa de negociações.

"No próximo meio ano vamos observar como se negociarão os detalhes do acordo. Os iranianos vão objetar cada cláusula e dizer: 'Não, não concordamos com isso nesta forma, vocês entenderam errado'", e tentarão forçar a suspensão de outras sanções, antecipa Landau.

Inimizade incondicional

Foi justamente o relaxamento de algumas sanções a tanto irritar Netanyahu. Ele critica que os embargos vinham sendo impostos gradativamente, ao longo de anos, para agora ceder diante de "concessões cosméticas" por parte do Irã. A seu ver, os políticos ocidentais se deixam iludir pela ofensiva de simpatia do presidente iraniano, Hassan Rohani, quando, há apenas poucos dias o aiatolá Ali Khamenei tachara Israel de "cão raivoso".

Fontes oficiais israelenses ponderam que, confrontado com o acordo tornado realidade, o governo Netanyahu deveria aproveitar os próximos seis meses para ajudar a definir um futuro pacto abrangente, politicamente e "de outra maneira".

Isso implica, certamente, também melhorar as relações com Washington. No domingo (24/11), falando ao telefone com Netanyahu, o presidente dos EUA, Barack Obama, ofereceu-se imediatamente para deliberações conjuntas em torno do programa nuclear iraniano.

Não está claro se a ligação aplacou o chefe de governo israelense. Seja como for, Netanyahu insistiu durante o fim de semana que Israel não se sente comprometido com o acordo interino.

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