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Mundo

Acordo nuclear desperta ira de Israel

Suspensão das sanções econômicas e planejadas concessões ao programa atômico de Teerã acirram velhos temores de políticos israelenses. Linha dura em torno de Netanyahu ameaça intensificar lobby em Washington.

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Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel

Desde os primeiros anúncios do acordo sobre o programa nuclear do Irã, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem condenado incondicionalmente a iniciativa. Falando à imprensa em Jerusalém, nesta terça-feira (14/07), ele apontou um "espantoso erro histórico", que suspende as sanções econômicas contra os iranianos sem impedir que desenvolvam a capacidade de produzir armas atômicas.

"Essa chuva de dinheiro alimentará o terrorismo do Irã por todo o mundo, sua agressão na região e seus esforços para destruir Israel, que são continuados", afirmou o político conservador. Ele enfatizou que seu país não está vinculado ao pacto, sugerindo que a ação militar será uma opção para os israelenses.

Quando o acordo expirar, em uma década, um "regime terrorista não reformado, impenitente e muito mais rico" estará apto a montar todo um arsenal nuclear, vaticinou Netanyahu. Segundo ele, o pacto "repete os erros" de um acordo internacional anterior com a Coreia do Norte, cujo sistema de inspeções e verificações foi incapaz de impedir que o país desenvolvesse seu potencial armamentista nuclear.

Medo e indignação

Diversos membros do governo israelense reagiram de forma comparável. Para a ministra da Cultura Miri Regev, também do partido Likud, o acordo deu ao Irã uma "licença para matar".

O chefe do Ministério da Educação e líder do partido linha dura Lar Judaico, Naftali Bennett, afirmou que o 14 de julho seria lembrado como "um dia negro para o mundo livre", em que "nasceu uma superpotência nuclear terrorista". "Israel vai se defender", prometeu no Twitter.

Em contrapartida, o líder oposicionista Isaac Herzog, do Partido Trabalhista, acusa Netanyahu de uma diplomacia desastrada, que teria levado à exclusão de Israel das negociações.

"O fato de nos últimos meses não ter havido atenção internacional para suas exigências e seus comentários sobre o acordo, prova que o comportamento e a tática de Netanyahu falharam", comentou Herzog no Facebook.

Österreich Atomverhandlungen mit dem Iran in Wien

Participantes das negociações em Viena após concluir seu trabalho

Retomada de sanções será difícil

Teerã tem sempre insistido que seu programa nuclear tem fins pacíficos. No entanto, Israel e boa parte do mundo ocidental suspeitam que a República Islâmica planeje desenvolver armamentos atômicos. Desde 2011, os Estados Unidos e a União Europeia vêm impondo sanções econômicas rigorosas para obrigar os iranianos a permitirem o acesso de inspetores internacionais a suas instalações nucleares.

O atual acordo autoriza o país a continuar a pesquisa e desenvolvimento de centrífugas para enriquecimento de urânio nos próximos dez anos. O embargo ao comércio armamentista, por sua vez, segue vigorando por mais cinco anos.

Azriel Bermant, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, concorda que o pacto poderá atrasar o desenvolvimento de armas nucleares por uma década. Por outro lado, permitir que prossiga a pesquisa de centrífugas "não é um desdobramento bem-vindo", por abreviar o prazo de que Teerã precisa para desenvolver armas, opina.

Bermant também duvida que as potências mundiais consigam reinstituir as sanções econômicas, caso o Irã venha a violar os termos do acordo. "Talvez sejam retomadas algumas sanções, mas acho que vai haver muitas lacunas", diz.

Enquanto tal passo pode ser fácil para os Estados Unidos, afirma o especialista, "outros países vão recuar, especialmente a Rússia, e outros países europeus podem não estar dispostos a retomar as sanções".

Afrontas renovadas e novas alianças

Por sua vez, Meir Javedanfar, especialista em Irã residente em Israel, acredita que os termos do acordo de Viena possam ser, na verdade, proveitosos. "Ter inspeções rigorosas em solo iraniano, realizadas por inspetores internacionais, é bom para o Estado de Israel", afirma.

Washington Barack Obama Benjamin Netanjahu

Ainda amigos: Netanyahu (esq.) e Obama em Washington, 2013

Um bom acordo poderá assegurar aplicação efetiva, garantir o acesso dos inspetores às instalações militares iranianas, expor amplamente eventuais desenvolvimentos nucleares para fins militares e fornecer transparência quanto à pesquisa de centrífugas e às reservas de urânio do país, aponta Javedanfar. Por outro lado, ele tacha de pouco realistas as expectativas dos líderes israelenses de um pacto mais duro para o Irã.

"Eles esperam que os iranianos capitulem em todos os pontos, encerrem todo seu programa nuclear, desmontem tudo, não deixando nem uma centrífuga." Tal postura, "possivelmente desmedida ou inflexível demais" é que teria comprometido a legitimidade de Israel, observa o especialista.

Em março último, a convite do porta-voz dos republicanos, John Boehner, Netanyahu se pronunciou no Congresso americano contra o acordo nuclear com o Irã, que estava sendo negociado. A iniciativa unilateral foi criticada como afronta ao presidente Barack Obama.

Agora, líderes políticos israelenses anunciaram a intenção de pressionar o Congresso para que não ratifique o acordo. Isso geraria uma nova confrontação entre o premiê de Israel e o presidente americano. Um detalhe, contudo, é que Obama dispõe de poderes para anular um eventual veto dos congressistas.

Ainda assim, nesta terça-feira a deputada trabalhista Shelly Yechimovich, integrante da Comissão de Política Externa e Defesa do Knesset, apelou a seu partido para que evite se envolver em atividades lobistas junto ao Congresso americano. "Precisamos dos Estados Unidos para melhorar o acordo ruim e manter a nossa resistência através da ajuda americana", escreveu no Twitter a política israelense.

Um aliado de Israel no combate ao pacto de Viena é a Arábia Saudita, que também teme um Irã nuclearmente armado. Segundo o analista Bermant, este poderia ser um momento para Israel procurar novas alianças regionais. "Mas no fim das contas, se os EUA estiverem decididos a seguir adiante com esse acordo, acho que não há muito que se possa fazer para impedir."

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