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Mundo

Acordo com a Grécia exige movimento recíproco, diz Juncker

"Não é possível que os outros 27 ou 18 países tenham que se mover unilateralmente em direção a Atenas", afirma o presidente da Comissão Europeia em entrevista à DW.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que sua conversa com o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, não foi consensual, mas que as posições dos dois lados se aproximaram.

Em entrevista à DW, Juncker disse que cabe a Tsipras se posicionar de forma que um acordo seja possível. "Porque não é possível que os outros 27 ou 18 países europeus tenham que se mover unilateralmente em direção a Atenas. É preciso um movimento recíproco, ainda que não totalmente simétrico."

Ele disse ainda que uma eventual saída da Grécia da zona do euro não faz parte do seu cenário, e que, como chefe do Eurogrupo, procurou, ao longo de três anos, fazer com que a Grécia não saísse nem fosse expulsa da zona do euro.

DW: Crise na Ucrânia, mais crises no sul, imigrantes que tentam chegar à União Europeia. Na Europa há a crise grega, movimentos extremistas, como o Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), a Frente Nacional e, até há pouco, o Pegida na Alemanha. O senhor perde o sono às vezes com tudo isso?

Jean-Claude Juncker: Não se pode ter noites sem sono porque, para manter o curso dos assuntos europeus, é preciso estar bem acordado, ou seja, é preciso dormir bem. Mas tudo isso me preocupa: essa radicalização dos extremos; essa diminuição do centro político quando não nos ocupamos com ele, quando não cuidamos dele; essa nova pergunta, que nada mais é do que o retorno de uma velha, se a Europa é um lugar e um refúgio duradouro da paz e do entendimento entre os povos; esse questionamento da ordem europeia de paz por meio da ação da Rússia na Crimeia e no leste da Ucrânia. Tudo isso me preocupa seriamente.

Na semana passada, o senhor se encontrou pela primeira vez com o novo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, em Bruxelas. Após o aperto de mão, vocês mantiveram as mãos unidas até sair da sala de imprensa. Por que o senhor fez isso? Para diminuir um pouco a pressão?

Eu recebi amigavelmente o novo primeiro-ministro, que eu conheço da eleição europeia, pois ele também foi candidato à presidência da Comissão Europeia e agora ele é primeiro-ministro grego e eu, presidente da Comissão. Por que eu deveria tê-lo recebido de maneira antipática? Nós não estamos num confronto marcial contra os gregos e o novo líder da Grécia. Assim, gentileza precisa ser a regra mesmo em meio a diferenças políticas.

Mas há conflitos, no último domingo Tsipras falou novamente que o programa de regaste financeiro europeu falhou. Essa opinião não é consensual em outras partes da Europa. A rota de confronto está dada. Foi essa a impressão que o senhor teve após o encontro?

Não, eu não tive essa impressão. A conversa não foi consensual, mas, mesmo assim, as posições se aproximaram. Eu ainda não tive acesso ao discurso completo que o colega Tsipras fez no Parlamento em Atenas no último domingo. Mas não me parece ter sido um discurso movido pela vontade de entrar num acordo com os parceiros europeus sob qualquer circunstância.

Só que há na Europa 21 democracias, e não só a grega, e cabe ao Sr. Tsipras se posicionar de maneira que um acordo seja possível. Porque não é possível que os outros 27 ou 18 países europeus tenham que se mover unilateralmente em direção a Atenas. É preciso um movimento recíproco, ainda que não totalmente simétrico.

Isso significa que, se os gregos se recusarem a seguir as regras da zona do euro, eles precisam sair da zona do euro?

Isso não faz parte do meu cenário. Como chefe do Eurogrupo, eu procurei, ao longo de três anos, fazer com que a Grécia não saísse nem fosse expulsa da zona do euro, nem se colocasse em impedimento permanente. Agora que a situação geral está mais calma, não há motivos para pensar nesse cenário, e como o Sr. Tsipras já afirmou que isso não faz parte do plano dele, vamos cuidar juntos para que a Grécia permaneça na zona do euro.

Mas isso exige que os fundamentos do programa de resgate para a Grécia sejam mantidos, ou seja, que a solidariedade de um corresponda à solidez do outro. São condições interligadas.

O senhor diria que os alemães estão fixados no cumprimento das regras do pacote de estabilidade e que isso gerou todas as reações contrárias dentro da UE?

Não, nós precisamos na Europa desse triângulo virtuoso formado pela consolidação orçamentária – ou seja, a adesão aos critérios de estabilidade –, as reformas estruturais, que são absolutamente necessárias, e os planos de crescimento e de investimentos voltados à criação de empregos, porque nós precisamos reparar a pane de investimentos na Europa.

Os alemães não têm culpa por priorizar a consolidação orçamentária, e outros não têm culpa por ampliar esse discurso de consolidação orçamentária e reformas estruturais em uma necessária terceira dimensão, que consiste de crescimento e emprego.

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