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Economia

Acionistas pressionam diretoria da Deutsche Telekom

Sob vaia dos 9000 acionistas presentes na assembléia da Telekom, ocorrida na terça-feira (28), em Colônia, presidente da empresa atribui baixa-recorde na Bolsa a “mecanismos psicológicos”.

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Milhares de acionistas na assembléia geral da Telekom em Colônia (28/05/02)

"Investimento para masoquistas": foi assim que um representante da Associação de Proteção aos Pequenos Acionistas qualificou as ações da Telekom, por ocasião da assembléia da empresa, em Colônia. Apesar da pressão dos pequenos investidores, o presidente da empresa, Ron Sommer, parece contar – pelo menos por enquanto – com o respaldo do maior acionista, a União, que detém, 43% das ações da Telekom. O Ministério alemão das Finanças desmentiu relatos da imprensa, segundo os quais Sommer seria destituído depois das eleições parlamentares alemãs.

Justificativas após a mais baixa cotação

"Quem perder a confiança nas ações da Telekom agora ainda vai se arrepender no futuro", declarou Sommer. Para ele, a trajetória das ações da empresa – que caíram de quase 104 euros, no início de 2000, para 11,76 euros, na semana passada – é lamentável, sobretudo porque contradiz radicalmente o desenvolvimento operativo da Telekom. Sommer também tentou relativizar a gravidade da situação da empresa, referindo-se à crise generalizada no setor de telecomunicações. "Não há nenhuma explicação racional para a queda dramática da cotação das ações da Telekom. Não dá para entender o que aconteceu nas últimas semanas". A única explicação seriam mecanismos psicológicos", segundo ele.

Sommer, que conta com um crescimento de 10% do faturamento para o ano corrente, não vê razão para o que chamou de uma "onda de pessimismo em relação à Telekom". No entanto, o próprio diretor financeiro da empresa, Karl Gerhard Eick, previu recentemente que a empresa continuará a ter prejuízos até 2004.

Após prejuízos de 3,5 bilhões de euros em 2001, Eick conta com perdas de até 6,7 bilhões de euros este ano, devido a amortizações de 16 bilhões de euros. O prejuízo, contudo, poderá ser menor, graças ao bom resultado operacional que Sommer espera. Fato é que a operadora alemã terminou o primeiro trimestre com um prejuízo de 1,8 bilhão de euros.

Prioridade máxima: reduzir as dívidas

Os custos astronômicos do encampamento da empresa de telefonia móvel norte-americana Voicestream, do pagamento das licenças UMTS e da construção das respectivas redes evidentemente sobrecarregaram a Telekom. As dívidas da empresa já chegam a 67 bilhões de euros. A meta originalmente traçada pela diretoria de reduzi-las a 50 bilhões de euros até o fim de 2002 foi adiada para o fim de 2003.

Os planos de sanear parte da dívida através da venda da rede de TV a cabo à empresa norte-americana Liberty também se tornaram inviáveis, após o Departamento Federal Anticartel ter vetado o negócio. Além de não ter nenhum outro comprador em vista, a Telekom dificilmente conseguirá vender a rede por 5,5 bilhões de euros, como pretendia.

Na assembléia realizada em Colônia, a diretoria da Telekom definiu estratégias para minimizar a dívida: a redução dos dividendos de 62% para 37%, o lançamento das ações da subsidiária T-Mobile na Bolsa de Valores (uma medida ainda sem data marcada) e o corte de 22 mil empregos até o final de 2004.

"Caviar em tempos de cólera"

Além do quadro econômico pouco animador, o que causou séria indignação entre os acionistas da Telekom foi o aumento de 90% do salário dos membros da diretoria, de 9,2 para 17,4 milhões de euros. "Quem se serve de caviar em tempos de cólera dificilmente vai contar com a compreensão dos acionistas", declarou uma de suas representantes presente na assembléia de Colônia. A cúpula da Telekom se defendeu das acusações de regalia, alegando que parte dos aumentos foi destinada à indenização de antigos membros da diretoria.