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Ciência e Saúde

Achim Steiner: "Proteção do clima é política para a paz"

Em entrevista à Deutsche Welle, o diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o teuto-brasileiro Achim Steiner adverte que a mudança climática aumenta os riscos de conflitos internacionais.

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Steiner: 'Já temos muitos refugiados do clima'

A Conferência Mundial do Clima em Bali chega ao final, nesta sexta-feira (14/12), com pelo menos um avanço já confirmado: o acordo sobre a gestão do Fundo de Adaptação, mecanismo previsto pelo Protocolo de Kyoto para ajudar os países em desenvolvimento a se adequarem às conseqüências da mudança climática.

Até 2012, o fundo deve reunir entre 300 e 500 milhões de dólares, um valor considerado insuficiente na opinião do ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel.

Em entrevista à Deutsche Welle, ele disse que as metas das negociações em Bali devem-se pelos resultados científicos sobre a mudança climática e não pela trapaça política. Deve-se tratar da implementação e não apenas falar sempre de novo sobre as metas, afirmou.

Também o diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, pede um sinal claro de Bali. Ele alerta que a mudança climática aumenta os riscos de surgirem novos conflitos internacionais.

DEUTSCHE WELLE: Sua mensagem é: "proteção do clima é política para a paz". Qual é a ligação entre as duas áreas? Achim Steiner: Acredito que não é por acaso que o Comitê Nobel concedeu o Prêmio Nobel deste ano a pessoas que estabelecem a conexão entre desenvolvimento sustentável, política ambiental global e política para a paz. O que se torna evidente com isso é que internacionalmente estamos chegando cada vez mais num ponto no qual mudanças ambientais podem restringir as bases de subsistência de vizinhos, de outras sociedades e economias. Isso dá ao nosso mundo um maior potencial para conflitos. Porque se, por assim dizer, estancarmos as águas de uns, criaremos pressão social e também econômica. A história nos ensina que sob tais circunstâncias conflitos se tornam muito prováveis. Então refugiados de guerra são, por assim dizer, refugiados do clima? Nós já temos hoje refugiados do clima em muitas partes do mundo. Por causa de secas e enchentes, há pessoas forçadas a abandonar o ambiente onde vivem. Às vezes, por alguns dias, mas com freqüência cada vez maior de forma duradoura. Com isso, surge uma pressão nas sociedades que recebem estas pessoas. Campos de refugiados, por exemplo, destroem o meio ambiente ao seu redor. Isso, por sua vez, leva a conflitos com a população local. Qual é o sinal que deve partir da Conferência de Bali? Bali deve dar a partida para as negociações do protocolo sucessor de Kyoto. Temos metas claras, que nos foram definidas pelo Conselho Mundial do Clima. Essas metas precisam ser negociadas numa relação política e econômica sustentável. Os Estados do mundo precisam se comprometer com medidas no âmbito de seu desenvolvimento econômico para desempenhar um papel ativo na redução das emissões de CO2. Em 2009, será preciso haver um protocolo sucessor. Do contrário, corremos o risco de perder todo o quadro básico para a proteção do clima penosamente desenvolvido até agora. "O clima não é tudo. Mas sem clima não há nada" – poderia se dizer em analogia a um ditado. O senhor concorda com isso? Sim. Em apenas 200 anos de desenvolvimento industrial, conseguimos colocar todo o nosso capital natural à beira da ruína. Influenciamos a atmosfera, o ciclo das águas, a cadeia alimentar na agricultura. Nós conseguimos em 100 ou 200 anos rechaçar milhares de anos de história, e isso com oito bilhões de pessoas sobre este planeta. Esse é o desafio no século 21. Qual é o papel que o senhor atribui nesse contexto aos países em desenvolvimento? Os países em desenvolvimento têm todo o direito de perguntar em Bali: "O que vocês, países industrializados, afinal fizeram nos últimos anos? Vocês se comprometeram a assinar um Protocolo de Kyoto com metas mínimas, e muitos de vocês sequer estão dispostos a atingir essas metas mínimas. Por que nós, países em desenvolvimento, devemos confiar em vocês?" No entanto, os países em desenvolvimento estão dispostos a adotar medidas e a agir em conjunto com a comunidade internacional. Mas não se eles tiverem de pagar o preço pelo fato de termos priorizado e aparentemente continuarmos priorizando os interesses econômicos nos países industrializados.

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