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Mundo

Acabou o espírito esportivo?

O recente escândalo envolvendo um novo anabolizante sintético nos EUA preocupa especialistas alemães. Será o fim das competições livres de doping? O ministro do Interior, Otto Schily, admitiu que a situação é alarmante.

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Testes de urina já não são suficientes

O novo caso de doping envolvendo atletas de renome no esporte americano tomou uma dimensão tão grande quanto a descoberta da substância em si. Trata-se de um esteróide anabolizante chamado tetrahidrogestrinona (THG), cuja principal peculiaridade é não ser identificável no teste de urina antidoping, já que a susbstância fica basicamente concentrada nos vasos sangüíneos.

Em outras palavras, um anabolizante desenvolvido especialmente para driblar o controle usual, possibilitando aos atletas que dele fazem uso um melhor desempenho em relação aos demais, sem o risco de cair na malha dos exames antidoping.

A descoberta desta nova substância só foi possível graças a um denunciante anônimo, que enviou uma seringa com restos do THG como prova. As suspeitas recaem não só nos atletas, mas envolvem também associações esportivas, técnicos e a indústria farmacêutica.

Uma prova de que “o limite para a criminalidade no setor de esportes e de doping já foi há muito ultrapassado”, disse o cientista Fritz Sörgel, diretor do Instituto Alemão de Biomedicina e Pesquisa Farmacêutica em Nurembergue-Heroldsberg.

Para o especialista, o mais chocante é que não existe qualquer registro sobre os efeitos do THG no organismo humano. A substância está sendo usada de forma leviana. Na ganância de melhores resultados, os atletas estão servindo de cobaias. Sörgel lembrou que o desenvolvimento de uma substância sintética como esta exige “elevada competência farmacológica”.

Um pequena mudança química pode alterar de tal forma uma substância que só estudos sérios e prolongados são capazes de avaliar. Sörgel classificou os laboratórios coniventes de “criminosos”.

Muito preocupante

O ministro do Interior da Alemanha, Otto Schily, que tem sob sua alçada o setor de esportes, revelou estar muito preocupado com o recente doping americano, que não envolve apenas um atleta e sim um grande número de pessoas. Mais de 350 testes específicos de THG deram resultado positivo. O político acrescentou, entretanto, que acredita que as instituições responsáveis nos EUA saberão tratar do assunto. “De qualquer forma é um incidente bastante imnpressionante”, concluiu Schily.

Fora de controle

O temor de que o caso acabe incentivando a busca de novas substâncias que passem despercebidas no controle antidoping não é de todo infundado. Klaus Müller, chefe do Instituto de Análises de Doping, localizado na cidade alemã de Kreischa, declarou que o episódio implica “uma nova dimensão” nas falcatruas do setor de esportes.

Sua opinião é a mesma de Christiane Ayotte, do laboratório de doping do Comitê Olímpico Internacional (IOC) em Montreal. “Quem acredita que esta é a única substância nova no mercado, também acredita em Papai Noel ou no coelhinho da Páscoa”.