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Cultura

Abra alas, União Européia!

O anúncio é: maior diversidade cultural após o ingresso dos novos países à UE. Resta saber: o intercâmbio entre Velha e Nova Europa provocará mesmo uma abertura frente a outras manifestações culturais?

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Música: trilho de aproximação cultural

Despertar os ouvidos alemães para os sons que vêm do “outro lado”. Fazendo parte da MusikTriennale de Colônia, a Philharmonie da cidade abriu suas portas para o pop. Comemorava-se oficialmente a entrada dos novos dez membros na União Européia, no último 1º de maio. Com a declaração Europa, mon amour, a intenção da emissora Funkhaus Europa foi esclarecer ao público – inclusive com a presença de representantes da classe política – que a expansão da UE é bem-vinda.

A atitude é sintomática. Na mesma semana, o semanário Die Zeit anunciava a entrada dos novos membros da União Européia com “sentimentos mistos”, afirmando que as “ondas de migração iriam causar muita dor de cabeça à velha UE”. A lista das lamúrias é imensa: teme-se daqui e dali uma avalanche de europeus pobres vindos do Leste, a chegada em massa de criminosos afoitos, enfim, propaga-se o medo.

Enquanto isso, é provável que o trilho da música, do cinema, das artes plásticas, ou seja, do intercâmbio cultural, seja o único a ser seguido para estabelecer o diálogo entre “velhos” e “novos” europeus: enfim juntos, mas em pleno processo de estranhamento. “Descobrir culturalmente a Europa significa voltar a atenção para os diversos países e povos do continente”, rezava a cartilha do Europa, mon amour, aberto estranhamente com um duo polonês cantando em inglês!

Unir tradições e linhagens estéticas diversas

Enquanto políticos selam acordos e propagam as vantagens de uma UE tamanho gigante, será somente nas parcerias alinhavadas no terreno das artes que o medo do Outro poderá ser vencido. “Apenas quando tradições e linhagens estéticas diversas se encontram” é que se torna possível reconhecer novas formas culturais, sentencia a revista do Instituto de Relações Exteriores da Alemanha, alertando para a necessidade de que o Velho Continente abra os olhos para além de seu território.

Seja nas artes plásticas ou na música, o conceito de nação e o debate sobre identidade cultural ocupam a produção artística. Provavelmente uma forma de responder à tentativa de um homogeneizar constante sob o selo da globalização. No rastro dessa reconstrução da própria identidade, surge, entre outros, o que vem sendo chamado de “movimento mestiço – um casamento musical entre a América Latina e o Velho Mundo”.

“Filhos desconfortáveis da globalização”

Trata-se aqui da junção de bandas européias com suas congêneres do outro lado do Atlântico. Sucessoras de um caminho há mais de uma década aberto por nomes como Manu Chao, esses “radicais mestiços” são chamados de “filhos desconfortáveis da globalização”. Abrem a boca contra a injustiça social, diferença de classes ou o abismo entre pobres e ricos, recuperando uma rebeldia perdida pelas últimas gerações jovens.

Intercâmbios transatlânticos do gênero não começaram, diga-se de passagem, ontem. A banda brasileira Mestre Ambrósio, por exemplo, já visitou há um bom tempo a trupe francesa Fabulous Trobadors, do sul da França, que resgata o dialeto ocitano e busca inspiração nos trovadores provençais. A visita do Mestre Ambrósio aconteceu após uma viagem dos franceses a Pernambuco, interessados então em conhecer os repentistas nordestinos.

Hoje, uma das principais expoentes do “intercâmbio mestiço” é a cantora espanhola Amparo Sanchez, da banda Amparanoïa, que combina música de raiz da Andaluzia com roupagem eletrônica. Um de seus sonhos, diga-se de passagem, é poder ir para o Brasil desvendar os mistérios musicais do país.

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