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Alemanha

Abismo entre cidades pobres e ricas é cada vez maior na Alemanha

Maior parte dos municípios alemães enfrenta dificuldades financeiras, mas há alguns casos em que as finanças vão bem. Vale do Ruhr e Offenbach estão no primeiro grupo, Wolfsburg e Eschborn, no segundo.

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Duisburg é uma das cidades afetadas pelo empobrecimento da região do Vale do rio Ruhr

O abismo entre as cidades pobres e ricas da Alemanha está cada vez maior, critica a Associação Alemã de Municípios. Em sua assembleia-geral anual, realizada nesta quarta e quinta-feira (10 e 11/06) em Dresden, os cerca de mil representantes pretendem requisitar mais verbas do governo federal em Berlim. Segundo os líderes municipais, a autonomia administrativa dos municípios está em jogo.

As causas da pobreza e da riqueza das cidades na Alemanha são diversas. Seguem alguns exemplos.

Rica Wolfsburg

As receitas das cidades e municípios provêm de várias fontes. A principal é o imposto pago pelas empresas. Quem tem a Volkswagen como contribuinte, como é o caso da cidade alemã de Wolfsburg, não precisa se preocupar muito com o seu orçamento. Na cidade, a relação entre o valor arrecadado com o imposto das empresas e o número de moradores corresponde a 2 mil euros por cidadão: um recorde na Alemanha.

Falência de indústrias

Quanto aos gastos, há obrigações legais. Uma das principais são os benefícios sociais a serem pagos pelos municípios. Um exemplo clássico de como municípios que já foram financeiramente fortes se enfraqueceram ao longo de décadas pode ser visto na região do Vale do Ruhr. As mudanças estruturais na antiga região mineradora não conseguiram compensar as enormes perdas. Resultado: onde antes havia empregados recebendo salários, hoje há desempregados recebendo ajuda social do governo.

O caso da cidade de Bochum é bem atual: as fábricas de automóveis da Opel deram emprego a milhares de ex-mineiros no início da década de 1960. Agora a montadora também se foi. Em vez dos 20 mil empregados de antigamente, há pouco mais de mil trabalhando para a Opel.

Tragédia na Renânia do Norte-Vestfália

O estado mais populoso da Alemanha é considerado um gigante doente. Nove das 30 empresas do DAX (principal índice da Bolsa de Valores de Frankfurt) têm suas sedes ao longo dos rios Reno e Ruhr, a renda per capita ainda é a quarta entre os estados alemães (sem considerar as cidades-Estado Bremen, Hamburgo ou Berlim).

Apesar disso, 15 das 20 cidades mais endividadas da Alemanha estão na Renânia do Norte-Vestfália. Cerca de 10 dos 400 municípios do estado estão livres de dividas.

Quando as despesas superam a receita

O setor de assistência social é responsável pelos maiores gastos. Em 2015, os benefícios a serem pagos pelas prefeituras equivalem a 50 bilhões de euros. Em 2014, os gastos com assistência social aumentaram mais do que as receitas fiscais.

Wasser bis zum Hals - Bürgermeister gehen baden

Prefeitos de cidades alemãs já em 2003: com água até o pescoço

Falta dinheiro para investimentos

Cerca de 60% de todos os investimentos públicos na Alemanha são financiados pelos estados e municípios. Mas sobra cada vez menos dinheiro para investir. Na década de 1970, a percentagem média de investimentos das cidades e prefeituras correspondia a 30% do orçamento anual. Atualmente, essa média gira em torno de apenas 10%.

Empréstimos para cumprir os compromissos

Em caso de necessidade, os tesoureiros municipais recorrem ao último meio disponível: um empréstimo bancário para assegurar o financiamento dos compromissos municipais.

Os chamados empréstimos de caixa, que as prefeituras fazem junto aos bancos, são cada vez mais comuns e somam, atualmente, polpudos 50 bilhões de euros. Em comparação: há dez anos eles totalizavam "somente" 20 bilhões de euros. Na época, essa notícia já era alarmante.

Sociedade urbana de duas classes

Financeiramente, o desenvolvimento das cidades de Offenbach e Eschborn, localizadas nas proximidades de Frankfurt, já diverge diametralmente há muito tempo. Ao sul do rio Meno, Offenbach enfrenta uma dura batalha pela sobrevivência após o desmantelamento de sua antiga indústria (química, metalurgia, couro). De cada oito trabalhadores, um está desempregado. As perspectivas de que a cidade conseguiria sair da sua precária situação por conta própria eram ruins, e de fato Offenbach precisou do pacote de resgate municipal do estado de Hesse. Desde então, as maiores receitas provêm da ajuda do estado.

O caso de Eschborn, localizada a noroeste de Frankfurt, é bem diferente. Os 20 mil habitantes da cidade dispõem de reservas de 300 mil euros. Lá o banco Deutsche Bank e as empresas de telefonia Telekom e Vodafone se estabeleceram com grandes complexos empresariais – pagando baixos impostos, mas beneficiando os habitantes de Eschborn.

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