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Alemanha

A vida é um jogo

Por duas semanas, "Command&Conquer: Generals" liderou a lista alemã dos jogos mais vendidos. Agora sua proibição foi decretada por "minimizar efeitos da guerra" e "representá-la como uma possibilidade de fama e glória".

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Jogo abusa na imitação do real e apresenta guerra como única saída

O Centro Federal de Proteção à Juventude (BPjS), responsável pela avaliação e classificação etária de tais produtos na Alemanha, havia tomado uma decisão provisória já no final de fevereiro, prevendo uma venda maciça do jogo.

O título é a mais nova versão da clássica série de jogos de estratégia para computador da empresa americana Electronic Arts, cujo lançamento é aguardado ansiosamente por jovens em todo o mundo. Mas desta vez a referência à realidade foi exagerada: Estados Unidos e China são as duas grandes potências mundiais, cujos exércitos lutam pela destruição de um inimigo comum, a organização terrorista Global Liberation Army (GLA). No jogo, há apenas uma solução: a guerra.

A fictícia GLA, baseada em Bagdá, é a deixa ideal para comparar o Iraque a organizações terroristas islâmicas, uma espécie de cópia da Al Qaeda. Seus membros têm rostos com traços árabes, falam inglês com sotaque árabe e se vestem com roupas típicas árabes. Além disso, o jogo parece sugerir uma conexão entre a GLA e uma suposta máfia do antigo bloco socialista europeu.

Políticos são mostrados apenas do nariz para baixo, mas é possível reconhecer os rostos do presidente americano George W. Bush e do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, enquanto uma voz de fundo diz: "Os grandes líderes de hoje solucionam conflitos com palavras. Palavras como chuva de bombas, tempestades de mísseis Scud, foguetes Tomahawk".

No documento em que explica a proibição do jogo, o BPjS argumenta ter reconhecido nele uma mentalidade típica das cruzadas cristãs: "Mate-os todos, o Senhor saberá reconhecer os seus".

Um jogo de verdade? – Se optar por jogar sozinho, o jogador assume o papel de um comandante terrorista da GLA e deve lutar contra as forças armadas dos EUA e da China no Oriente Médio e na Ásia Central. Já na primeira missão, o jogador é instruído para destruir instalações militares e civis dos inimigos por meio de atentados terroristas.

Mais polêmico ainda é o chamado modo multiplayer, no qual diversos jogadores conectados via Internet disputam simultaneamente. A escolha entre EUA, China e GLA é livre. Um jogador bem sucedido é condecorado e pode subir na hierarquia, que segue mais ou menos o modelo norte-americano.

Os exércitos são bem caracterizados. O norte-americano é ricamente equipado e tem à sua disposição interpretações futuristas do atual armamento, como tanques, foguetes Tomahawk e helicópteros Chinook, apropriado tanto para ataques terrestres como aéreos. Primeira missão da campanha americana: os Estados Unidos chegaram à conclusão que a GLA, com base em Bagdá, possui em seu controle armas de destruição em massa. Qualquer relação com a realidade, pode não ser mera coincidência.

O exército chinês é o mais adequado para ataques terrestres, mas também pode lançar mão de estratégias de propaganda, hackers e armas atômicas. Se optar pela GLA, o jogador terá que se contentar com um arsenal técnico antiquado e às vezes até improvisado, proveniente do velho bloco socialista, adotar táticas de guerrilha e utilizar armas biológicas e atentados suicidas.

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