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Mundo

A Tchetchênia após a morte de seu líder rebelde

O Kremlin contabiliza a recente morte do terrorista Chamil Bassaiev como uma vitória contra o terrorismo. Porém a Tchetchênia e o norte do Cáucaso permanecem um problema sem solução para a Federação Russa.

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Chamil Bassaiev

O líder terrorista tchetcheno e inimigo público número um da Rússia Chamil Bassaiev foi morto numa operação especial das forças de segurança russas. O palco da execução foi a Inguchétia, república pertencente à Rússia, a oeste da Tchetchênia. A morte de Bassaiev é contabilizada pelo Kremlin como uma vitória de sua política antiterror, a poucos dias da cúpula do G8 em São Petersburgo, que concentra as atenções internacionais.

Bassaiev não é o primeiro líder rebelde tchetcheno assassinado numa operação especial russa. O mesmo ocorrera em março de 2005 com Asian Machadov. Há poucas semanas, em 17 de junho, seu sucessor, Abdul-Chalim Saidulaiev, morreu em condições comparáveis. Há apenas duas semanas, o novo líder, Doku Umarov, declarara Bassaiev "vice-presidente e chefe de governo".

Biografia sangrenta

Na verdade, o ativista de 41 anos contava como o verdadeiro cabeça dos tchetchenos, conhecido por sua brutalidade na luta contra os russos, na qual não poupava civis.

Entre suas primeiras operações consta o seqüestro de um avião de passageiros na Turquia, em 1991. Em 1995 ele comando o grupo que tomou um hospital com mais de mil reféns, em Budjononvsk, no sul russo. Em agosto de 1999, foi ele a comandar o ataque dos tchetcheno à vizinha República de Daguestão.

Essa ação levou Moscou a declarar a segunda guerra da Tchetchênia, à qual Bassaiev colaborou com atos terroristas cada vez mais terríveis, como a tomada do teatro musical moscovita Dubrovka, em 2002, ou a de uma escola primária em Beslan, no sul da Rússia, dois anos mais tarde.

Da mesma forma, ele tomou parte na ampliação do conflito da Tchetchênia no norte do Cáucaso. Em 2004 e 2005 organizou duas investidas na região, nas quais centenas de rebeldes armados invadiram instalações oficiais, fuzilando representantes do governo, forças de segurança e civis. A desestabilização do Cáucaso Setentrional, iniciada por Bassaiev, perdurará por um bom tempo, mesmo após sua morte.

Crise sem receita de solução

Pois a Tchetchênia não é apenas o núcleo de um celeiro de conflitos que se alastra, abarcando neste meio tempo todas as repúblicas russas do norte do Cáucaso, sobretudo a Inguchétia, Daguestão e Cabardino-Balcária.

Moscou – em especial Dmitri Kosak, governador-geral designado por Putin para a região – conhece a fundo os problemas locais: corrupção galopante, um sistema de clãs que atravessa todos os setores públicos, a economia de caixa dois e o grande afastamento da população em relação às elites dominantes. Kosak fala com pertinência de uma ameaça à estabilidade social.

Porém o Kremlin não encontra nenhuma receita razoável para superar essa crise. O reforço da presença militar, a administração centralista imposta e a nomeação de chefes de governo apenas agravam os problemas.

Aumenta o abismo entre a Federação Russa e o Cáucaso Setentrional, entre os russos e as etnias freqüentemente de cunho islâmico, o que também se faz sentir no avanço da xenofobia no país. A falta de perspectivas da juventude da região cresce, o conflito da Tchetchênia permanece sem solução política. Sob tais circunstâncias, é grande o perigo de que apareçam novos terroristas do porte de um Bassaiev.

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