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Mundo

A saga do "talibã alemão"

Há um ano, Murat Kurnaz deixou a cidade alemã de Bremen, em direção ao Paquistão. Desde janeiro último, está preso em Guantánamo, tido pelo governo norte-americano como guerrilheiro talibã.

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Alguns anos atrás, Murat Kurnaz ainda não usava barba

Cartões postais brancos e impessoais e uma única carta são tudo o que Rabiye Kurnaz recebeu de seu filho, desde que este deixou a cidade de Bremen, no norte alemão, em outubro último. Segundo ela, Murat tinha a intenção de fazer uma "viagem espiritual, para entender melhor o alcorão". Dois meses depois de deixar a Alemanha, o jovem de 20 anos foi parar nas mãos de soldados norte-americanos nas proximidades do aeroporto de Karachi.

Os EUA acusam Murat Kurnaz de participação no combate em defesa da milícia talibã. Por causa disso, o jovem de origem turca nascido na Alemanha foi enviado ao Camp X-Ray, na baía de Guantánamo, na costa sul de Cuba. Ali, Kurnaz está entregue a um destino desconhecido, ao lado de 600 outros prisioneiros, todos privados de contato pessoal com suas famílias ou advogados. As condições em Guantánamo já foram criticadas duramente por diversas organizações de defesa dos direitos humanos.

O caso de Kurnaz é bastante confuso: embora o jovem tenha nascido e crescido na Alemanha, manteve a cidadania turca. Por isso, as autoridades alemãs pouco podem fazer por ele. O governo turco, por sua vez, mostrou pouco interesse no caso, segundo informações do advogado da família, Bernhard Docke. De acordo com investigações realizadas na Alemanha, o jovem era, no máximo, um aspirante a talibã e jamais um guerrilheiro ativo.

Prisioneiros sem direitos – Rabiye Kurnaz compara o caso de seu filho com o do "talibã americano" da Califórnia, detido há alguns meses. "John Walker foi preso no meio da guerra no Afeganistão. O que os americanos fizeram com ele? Expuseram-no a um juiz. O que fizeram com Murat? Simplesmente o colocaram na prisão. Eu não consigo aqui reconhecer direitos humanos, você consegue?", questiona a mãe de Murat em Bremen.

A recusa dos EUA em considerar os "internos" de Guantánamo como prisioneiros de guerra faz com que os suspeitos potenciais – como o caso de Kurnaz – vejam feridos os seus direitos, garantidos pela Convenção de Genebra. Até mesmo os governos dos doze cidadãos da União Européia, presos em Guantánamo, só podem manter um contato limitado com seus compatriotas.

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