A Playmobil e o irresistível avanço dos bonequinhos de plástico | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 02.02.2012
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Economia

A Playmobil e o irresistível avanço dos bonequinhos de plástico

As figurinhas articuladas e as miniaturas de veículos e edifícios garantem à empresa do sul da Alemanha um faturamento anual superior a meio bilhão de euros. Uma história de sucesso que começou mais de 30 anos atrás.

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O mundo em miniatura

Um granulado branco que facilmente passaria despercebido é a matéria-prima da qual são feitos os sonhos infantis – sejam eles carros de bombeiro, naves espaciais, jogadores de futebol, castelos ou casas de boneca.

Playmobilfabrik Dietenhofen

O granulado de que são feitos os sonhos das crianças

Enfileiradas em diversos galpões num lugarejo próximo a Nurembergue, no sul da Alemanha, estão inúmeras máquinas de moldagem por injeção, que produzem peças de plástico 24 horas por dia. Há pouca gente à vista; vez por outra ouve-se um chiado nas tubulações, quando o granulado deixa o depósito para alimentar as máquinas.

Nelas, a matéria plástica é tingida e fundida. "Aí ela vira uma massa, como de pão, que injetamos a alta pressão nas formas. A massa esfria, a forma se abre, a peça cai de dentro dela. E o processo recomeça", explica Robert Benker, gerente técnico da fabricante de brinquedos Playmobil, oficialmente Brandstätter & Co. A cada dia, as máquinas expelem cerca de 8 milhões de elementos.

A história dos bonequinhos de plástico começou há mais de 30 anos, quando o empresário alemão Horst Brandstätter colocou no mercado índios, operários e cavaleiros, pequenos e articulados. Hoje, existe um verdadeiro exército de figuras e veículos, além de diversos edifícios em miniatura.

Sucesso irresistível

Playmobil Hane, Schauer, Höpfner

Executivos da Playmobil (da esq. para a dir.): Bernhard Hane, Andrea Schauer e Steffen Höpfner

"Playmobil é uma história de crescimento e sucesso irresistível, que no início ninguém imaginaria ser possível", orgulha-se Andrea Schauer, diretora executiva da fabricante de brinquedos cujo faturamento anual supera os 500 milhões de euros.

De fato: as embalagens azuis da Playmobil enchem prateleiras em mais de 70 países. O principal mercado de vendas é a Europa, diz Schauer à Deutsche Welle. Mas a empresa também faz bons negócios na América do Norte e tem perspectivas de expansão no Leste Europeu e na América do Sul. Para a diretora, uma coisa é certa: a empresa cresce. Prova disso são os investimentos planejados para este ano, totalizando 80 milhões de euros, a maior parte na Alemanha.

Hoje em dia as figuras de plástico são manufaturadas na Europa – na Alemanha, em Malta, na República Tcheca e na Espanha. Como tantos outros fabricantes de brinquedos, alguns anos atrás a Playmobil tentou voltar-se para a China, mas a produção acabou sendo relocada. "Constatamos que produzir com a mesma qualidade lá não sai assim tão mais barato. Se investirmos muito em processos tecnologizados, estamos bem melhor na Europa", analisa Schauer.

Crianças exigentes

Mas uma produção eficiente não basta. Também a decisão sobre o que colocar no mercado exige muita expertise. Na época atual, a questão do design das peças não é mais tão simples como nos primeiros tempos, em que a cara dos bonecos eram "ponto, ponto, vírgula, travessão". As crianças mudaram, e com elas, as expectativas em relação aos brinquedos. Hoje os bonecos são mais flexíveis, suas formas mais realistas, e também os acessórios estão cada vez mais detalhados.

Playmobil

Carta de um pequeno consumidor

Um dos critérios para decidir quais peças devem ser reprojetadas e como elas deveriam ficar são as 250 cartas dos miniconsumidores que chegam à central da empresa, a cada mês. "As cartas de crianças que recebemos refletem de maneira bem direta os acontecimentos da atualidade", conta Bernhard Hane, chefe de desenvolvimento de produtos. "Posso apostar que agora, depois da catástrofe marítima na Itália, nos próximos meses as crianças vão escrever: 'Por que não tem nenhum navio grande de passageiros?'"

Antes de decidir se uma figura deve ser modificada ou mesmo criada, constrói-se um modelo de espuma, que é então digitalizado. Esse processo pode ser bastante complexo: o carro de bombeiros, por exemplo, é composto por 92 elementos.

Estes são primeiro esculpidos com uma impressora 3D. "Trata-se de uma impressora que reproduz o elemento em três dimensões, através da modelagem com líquidos, cera ou simples matéria plástica. Isso demora 24 horas", diz Hane. Esse é o melhor método para conferir se as peças construídas no computador realmente se encaixam.

Cerca de um ano transcorre até que sejam finalmente produzidas as formas de moldagem em que o granulado plástico será injetado. Nesse estágio, nada mais pode dar errado, pois cada forma custa entre 10 mil e 500 mil euros.

Forte Knox do plástico

Geralmente é necessário mais um ano até ter-se manufaturado o suficiente para suprir os revendedores. Como a Playmobil tem que colocar suas novidades no mercado em grande quantidade e simultaneamente em diversas lojas, é preciso que disponha de um grande estoque. Assim acabam-se passando de dois a três anos para que uma ideia vire uma nova embalagem de Playmobil na loja de brinquedos.

Playmobilfabrik Dietenhofen

Galpão de máquinas da Playmobil

A empresa não teme os imitadores, afirma Schauer. Pois: "Nós não vivemos de uma só figura, somos o mundo inteiro em miniatura". Somente em 2012, a firma pretende investir cerca de 23 bilhões de euros, sobretudo em novas formas, embora também sempre possa recorrer às formas existentes.

A empresa familiar guarda seu tesouro de formas no porão abaixo dos galpões de produção. Cerca de 20 metros abaixo da terra, protegidas da água e do fogo, estão armazenadas formas de moldagem a injeção com até 30 anos de idade, empilhadas em prateleiras. Somente o seu valor material é calculado em 250 milhões de euros. "Nossas formas são nosso capital, nosso porão é o nosso Forte Knox."

Autora: Insa Wrede(av)
Revisão: Alexandre Schossler

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