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Economia

A penúria dos agricultores

Às vésperas da ampliação da UE, a Federação Alemã da Agricultura pleiteia que sejam exigidos os mesmos elevados padrões ambientais e sanitários dos produtos provenientes do Leste Europeu.

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A maioria das fazendas alemãs é empresa familiar

Em entrevista ao canal de televisão NDR, o presidente da Federação Alemã da Agricultura, Gerd Sonnleitner, deixou claro o que espera no processo de ampliação da União Européia: a exigência dos mesmos altos padrões de proteção à natureza e aos animais, de higiene e proteção à saúde pública no setor agrícola dos novos países membros. "Caso contrário, teremos uma concorrência desleal, com desvantagem para nós, inaceitável para os agricultores alemães e europeus ocidentais", afirmou Sonnleitner.

As preocupações manifestadas pelo líder da classe foram precedidas da divulgação de um balanço das atividades agrícolas na Alemanha no ano agrário de 2001/2002, encerrado em junho passado. Antes mesmo de começar a enfrentar a concorrência do Leste Europeu, a situação da agricultura alemã é calamitosa. Crises internas de consumo, como as que foram provocadas pelos escândalos da vaca louca ou da aftosa, além dos problemas da conjuntura econômica em geral fizeram com que caísse drasticamente o faturamento dos produtores rurais.

Reversão de tendência

Nos anos anteriores, os agricultores alemães não tiveram grande motivo para queixas: as colheitas foram boas e os preços mantiveram-se estáveis. A partir de 2001, no entanto, a situação reverteu-se – os preços desabaram no mercado, o consumo retraiu-se, as colheitas foram más. Gerd Sonnleitner apresentou, em Berlim, o balanço das atividades de cerca de 20 mil fazendas alemãs: uma queda de 12,9% no faturamento anual, que atingiu uma média de menos de 32 mil euros.

Os produtos mais atingidos pela crise foram as carnes bovina e suína, os cereais, o vinho e os legumes. Ao mesmo tempo, a reforma tributária provocou uma verdadeira explosão de custos, por exemplo, na área de combustíveis e de energia. E também outros insumos, como sementes e agrotóxicos, sofreram aumentos aviltantes de preço. Todos os tipos de fazenda, seja no leste ou no oeste do país, foram igualmente afetados pela evolução negativa.

Embora altamente mecanizadas, a maioria das empresas rurais alemãs é de pequeno porte, tendo como mão-de-obra quase exclusivamente o proprietário e seus familiares. O lucro do setor no último ano agrário correspondeu a uma renda bruta mensal de 1.816 euros (cerca de 6.950 reais) per capita. Entre os vinicultores, a situação é especialmente calamitosa: a renda bruta mensal per capita só chega a 1.342 euros (cerca de 5.130 reais).

Investimentos menores

A queda de renda resultou numa retração dos investimentos. Os produtores rurais alemães investiram de dois a três bilhões de euros menos em suas fazendas em 2001/2002. Isto documenta, na opinião de Gerd Sonnleitner, a profunda insegurança e a falta de perspectivas vividas atualmente pelo setor. Segundo o líder da classe, os fazendeiros alemães começam a duvidar que uma agricultura produtiva e competitiva ainda tenha o necessário apoio político.

Os agricultores reclamam, em especial, da inconstância na política tributária do governo federal alemão, descrita por Sonnleitner como "política de ziguezague". Mas a crítica estende-se também a planos específicos de Berlim: por exemplo, o aumento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) de 7% para 16% para alguns produtos do campo – flores, plantas ornamentais ou lenha para lareira, entre outros. Os produtores rurais temem uma nova retração do consumo e prejuízos vultosos.

A Federação Alemã da Agricultura criticou, além disso, a guerra de preços ao consumidor entre as grandes cadeias de supermercados, que pressionam os fazendeiros a aceitarem preços cada vez mais baixos pelos seus produtos. A influência negativa de tal estratégia de marketing na renda dos agricultores é tão grande que muitos já pensam numa ação de boicote a tais supermercados.

Perspectivas ruins

O panorama geral da agricultura alemã não apresenta perspectiva de melhora no ano agrário 2002/2003, iniciado em julho. Conforme a previsão da Federação Alemã da Agricultura, a queda na renda dos produtores deverá ser novamente de dois dígitos percentuais. E os investimentos continuam caindo.

Gerd Sonnleitner justificou o prognóstico negativo através da enorme queda no preço dos laticínios. O preço do leite – principal produto agrário alemão – já caiu 14% em relação ao ano anterior. O mesmo acontece com a carne: o preço de mercado da carne suína é, no momento, 13% mais baixo que em novembro de 2001.