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Alemanha

A paz mais necessária do que nunca

Assim como o Papa João Paulo II, em Roma, s representantes das Igrejas Católica e Protestante da Alemanha dedicaram suas mensagens de Natal ao tema da paz, que emergiu com mais importância dos atentados de setembro.

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O Cardeal alemão Karl Lehmann, com o Papa João Paulo II.

As igrejas estão repletas desde o dia 11 de setembro. Como durante a Segunda Guerra Mundial, o perigo e a violência levam as pessoas a buscar consolo e explicação para o que acontece, observa o diário britânico Daily Telegraph, chamando a atenção para o paradoxo dos atentados cometidos em nome de Deus.

Cardeal Karl Lehmann - A preocupação e os temores dos fiéis, após a data fatídica, estiveram presentes em todos os sermões de Natal na Alemanha e em outros países. O Cardeal Karl Lehmann, presidente da Conferência dos Bispos Católicos Alemães, pronunciou-se a favor de um "autêntico diálogo entre as religiões". A verdade de Deus se revela sob várias formas e, muitas vezes, é tergiversada neste mundo. Em algumas religiões não cristãs, estariam ligados elementos "de beleza inigualável e de uma crueldade absurda", como o ato de se matar em nome de Deus.

Já os cristãos devem se orientar por Jesus, cuja mensagem é imprescindível. Deus conferiu uma dignidade especial aos seres humanos, através do nascimento de Jesus. Depois da grande demonstração de amor divino no Natal, "não pode surgir nada mais que seja tão radicalmente novo", disse o cardeal, ao celebrar uma missa pontifical nesta terça-feira, em Mainz.

Igreja Protestante – O presidente do Conselho da Igreja Evangélica Alemã, Manfred Koch, conclamou os fiéis a confiarem que Deus não deixa o mundo à mercê das forças caóticas e não o dá por perdido. Ao mesmo tempo, ao pronunciar sua mensagem de Natal, nesta terça-feira, em Hanôver, ele queixou-se de que nada foi feito, após o 11 de setembro, para eliminar as causas das guerras e da pobreza.

Tudo teria voltado "aos velhos trilhos", a política, a economia e as pessoas a seus afazeres. Em vez de se lutar pela justiça social e a superação da pobreza, "considera-se suficiente um sucesso imediato, obtido por meios militares". Isso seria como recorrer ao bombeiro, quando se precisa de uma prevenção de incêndios. Para secar o pântano do terrorismo é preciso superar os conflitos que ameaçam a paz e criar um ordem internacional mais justa.

O nascimento de Jesus mudou o mundo, disse o representante máximo da Igreja Protestante na Alemanha. O fato de Deus tornar-se carne, um ser humano, traz "esperança para este nosso mundo impiedoso e infeliz". Esse é o "segredo" que, ao mesmo tempo se revela àqueles que abrem seus corações.

Maria Jepsen e Margot Kaessmann, as duas bispas alemãs – Para Maria Jepsen, a primeira mulher a assumir o bispado da Igreja Luterana na Alemanha, o Natal é especialmente adequado para dar impulso à paz, a paz "entre os povos e as nações, as religiões e os partidos, entre os que têm posses e os despossuídos", disse a bispa, em seu sermão, em Hamburgo. A mensagem de amor e de confiança do Natal "é mais importante do que todos os pacotes de segurança". Quem divide o mundo em amigos e inimigos, já se resignou. Os fanáticos, por sua vez, arriscam sua vida e de outros, como se o ser humano não valesse nada. Em todo o mundo gastam-se bilhões em bombas e drogas, enquanto milhões de pessoas passam fome, o que Maria Jepsen chamou de "uma discrepância global e esquisofrênica".

Para a bispa de Hanôver, Margot Kaessmann, a religião não pode continuar sendo um fator a acirrar conflitos. Se isso acontece, há abuso e ela está sendo desvirtuada de seus verdadeiros fins. Deus traz a paz no Natal a um mundo sem paz, "o mundo do terrorismo, que transforma aviões em bombas, e o mundo das armas, que sempre quer ter a última palavra".