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Cultura

A palavra e a guerra

Mercado editorial alemão reflete a ânsia do público por maiores informações sobre o Iraque. A literatura especializada sobre o assunto vive um boom semelhante ao que ocorreu em relação ao islã após o 11 de setembro.

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Estande da Feira do Livro de Leipzig: busca por temas relacionados ao Iraque

Lutar contra a velocidade das imagens não é tarefa das mais fáceis para a mídia impressa. No entanto, enquanto a televisão fornece um amontoado de notícias superficiais sobre os confrontos no Iraque, é no mercado editorial e nos cadernos de cultura dos grandes jornais que o público alemão procura saciar sua sede de informações sobre o assunto.

Se na telinha os conflitos são reduzidos a depoimentos relâmpagos de especialistas de última hora, é na literatura especializada que se oferece ao leitor uma reflexão sobre o como, quando e principalmente sobre o porquê da guerra.

Buchcover: Moore - Stupid White Men

"Homens Brancos Estúpidos", de Michael Moore

Populares e acadêmicos - Entre os livros populares voltados para o grande público, está o bestseller Estúpidos Homens Brancos, do escritor e documentarista Michael Moore (que acaba de levar o Oscar por Tiros em Columbine, quando aproveitou para rasgar o verbo na festa de entrega da estatueta). Entre as digressões mais acadêmicas, está, por exemplo, Uma Pequena História do Iraque: Da Fundação em 1921 até o Presente, de Herner Fürtig, diretor do Instituto Alemão para o Oriente.

Com produtos para todos os gostos, o mercado editorial alemão vive algo semelhante ao que ocorreu após o 11 de setembro de 2001. Passados os atentados terroristas ao World Trade Center, o leitor do país saiu ávido em busca de informações de fundo sobre o islamismo, procurando saber o que estaria por trás de nomes como Jihad (guerra santa) ou Al-Qaeda. O atual conflito no Iraque faz, outra vez, com que a população do país procure desvendar As Verdadeiras Razões do Conflito no Iraque (Eric Laurent), ou o que será do mundo Se Não Houver Mais Petróleo (Jeremy Rifkin).

Perfis e reflexões - Reagindo à demanda do mercado, as editoras alemãs vêm se dando ao trabalho de saciar cada vez mais a curiosidade dos leitores. Fazendo jus à personificação do conflito, não são poucos os livros que se dedicam a traçar perfis, seja de George W. Bush ou de Saddam Hussein.

A busca por discussões políticas ou reflexões históricas acerca de tudo o que envolve direta ou indiretamente as relações entre Iraque e EUA cresceu assustadoramente em todo o país, afirmam especialistas. "Podemos comparar ao 11 de setembro", diz Susanne Lange, diretora de marketing da editora DVA.

Dos centros do poder - Bush em Guerra, de Bob Woodward (um dos dois jornalistas que desvendaram Watergate), já está em sua quinta edição, apenas seis semanas depois de ter sido lançado no mercado nacional. Traçando uma cronologia dos acontecimentos pós 11 de setembro, Woodward deixa claro que uma "guerra preventiva" já fazia há muito tempo parte dos planos norte-americanos.

As 400 páginas obtidas no epicentro do poder, do qual o autor mostra ter estado muito próximo, baseiam-se em protocolos do Conselho de Segurança norte-americano e em entrevistas com alguns dos envolvidos diretos na questão. Até mesmo George W. Bush concedeu uma longa entrevista, de várias horas, ao autor.

Com Deus, Contra Todos. A Luta dos EUA pela Hegemonia Mundial, de Peter Pilz, especialista em política externa dos Verdes austríacos, deveria chegar ao mercado apenas no segundo semestre de 2003. Em função da guerra, a editora DVA antecipou o lançamento do livro, que lista uma série de confrontos pelo poder político liderados pelos EUA após o término da Segunda Guerra Mundial.

Dublê e mídia - Também a editora Goldmann reagiu rapidamente ao chamado do mercado, reeditando Fui o Filho de Saddam, de Latif Yahia, que havia sido publicado pela primeira vez na Alemanha em 1994. Aqui, o autor, um iraquiano vivendo no exílio, alega ter trabalhado durante cinco anos como dublê de Uday Hussein, filho de Saddam. Dentro em breve, a mesma editora deverá lançar ainda Alvo de Ataque: Iraque. Como a Mídia Nos Vende a Guerra, de Norman Solomon e Reese Erlich.

Vendas online - As livrarias online do país também registram uma procura maior por livros que trazem a guerra ou os interesses geopolíticos norte-americanos como tema. "Temos até cinco títulos sobre o Iraque na lista dos nossos 25 mais vendidos", diz uma porta-voz da amazon.de, que tem os relatos de dois ex-funcionários da ONU entre seus best-sellers.

O primeiro, Guerra contra o Iraque. O Que o Governo Bush Omite, do ex-inspetor de armas Scott Ritter, defende a tese de que o Iraque nunca esteve em posse de armas de destruição em massa, nem tampouco tem ligações estreitas com a organização terrorista Al-Qaeda.

Já o alemão Hans von Sponeck, ex-coordenador do programa de ajuda humanitária da ONU no Iraque, assina junto com o correspondente do diário alemão taz em Nova York, Andreas Zumach, Crônica de uma Guerra Desejada. Considerado pela crítica como um apanhado de afirmações simplistas, o livro já alcançou a cifra de 45 mil volumes vendidos em apenas cinco semanas.

O outro lado - Para os que se interessam por outros aspectos do país que não aqueles envolvidos na atual guerra, estão disponíveis no mercado as reportagens da National Geographic, reunidas na coletânea Iraque Desconhecido. E para os que se contentam com frases esparsas, porém contundentes, a revista Lettre International (versão alemã) convidou em sua última edição personalidades do mundo literário e acadêmico de todo o planeta a expressarem suas opiniões sobre a guerra. Entre elas, está estampada a do escritor amazonense Milton Hatoum: "A guerra não é apenas o desastre moral de um mundo dito civilizado, mas a justificação criminosa dos mais poderosos".

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