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Mundo

A ONU deve intervir no Iraque?

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, está preocupado com os mais recentes acontecimentos no Iraque. O potencial positivo de uma intervenção é contrabalançado pelos riscos. Um comentário de Rainer Sollich.

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O ex-secretário-geral Butros Butros Ghali acredita que a Organização das Nações Unidas pode contribuir para acalmar a situação no Iraque. Como revelou em entrevista recente à Deutsche Welle, ele é a favor de que a ONU exerça um papel mais decisivo naquele país. O atual secretário-geral, Kofi Annan, hesita, embora já tenha enviado ao Iraque o emissário especial Lakhdar Brahimi. Mas os riscos são sérios.

Explosão de bombas, combates, caminhões de abastecimento em chamas, estrangeiros seqüestrados, e – desde o início de abril – 600 mortos, apenas em Falluja. Também na Páscoa, caos e morte dominaram o noticiário sobre o Iraque. Cada vez fica mais óbvio: quer negociando, agindo taticamente ou com intervenção militar rigorosa, os norte-americanos e seus aliados mal conseguem manter a situação sob controle naquele país árabe.

George Bush também sabe disso. E a cada dia de caos e a cada soldado americano morto certamente cresce a tentação do presidente de depositar em outros ombros a responsabilidade pela paz e o reerguimento do Iraque. Os editorialistas já começam a falar em um "segundo Vietnã". E Bush não pode se dar ao luxo de um novo Vietnã; afinal ele quer se reeleger no início de novembro.

Tábuas de salvação

A solução mais óbvia seria apelar para as Nações Unidas. Mas a organização mundial hesita, por motivos plenamente compreensíveis: em agosto passado, 22 pessoas perderam a vida no atentado a seu quartel-general em Bagdá. Em reação, a ONU se retirou quase completamente do país.

Os recentes atentados e seqüestros de estrangeiros também são um argumento contra um envolvimento mais ativo das Nações Unidas. Pois entre as vítimas desses atos de violência não estão apenas cidadãos dos países da coalizão de guerra, mas também chineses, russos e alemães. Deve estar claro para a ONU que, em princípio, uma operação no Iraque representa perigo para todo estrangeiro, mesmo para as nações que há um ano se opuseram terminantemente à guerra.

De fato, a ameça é enorme: intervindo no Iraque, a ONU embarcará numa aventura de riscos quase imprevisíveis. Uma tropa de capacetes azuis mal aparelhada dificilmente poderá promover segurança: é mais provável que corra perigo, ela própria. Entretanto, mesmo um mandato militar de peso – possivelmente com o apoio da Otan – não garantiria menores riscos. Em outras palavras: um eventual mandato da ONU não evitará atentados e mortes.

Em nome dos interesses internacionais

Mas qual seria a alternativa? Mesmo que o Pentágono envie inúmeras tropas, os recursos das forças de ocupação americanas e dos aliados parecem estar esgotados, assim como seu bônus de confiança junto à população. Reconquistar confiança: esta seria uma tarefa para a ONU, apesar dos muitos perigos. Inadmissível no momento é passividade e rancor contra os ocupadores em apuros.

O que acontece no Iraque realmente reforça a tese de que há um ano se iniciou uma guerra questionável, sob justificativas discutíveis e sem considerar exaustivamente as possíveis conseqüências. Mas as prioridades agora são outras: todas as iniciativas devem visar proporcionar uma vida pacífica e um modesto bem-estar aos iraquianos, após décadas de brutal ditadura e de sanções internacionais. E isto, não só por solidariedade ou compaixão com a população, mas em nome dos interesses mundiais.

É indispensável evitar que a situação cada vez mais caótica no Iraque encoraje os terroristas no país e no exterior a novas atividades, angariando-lhes cada vez mais simpatizantes. Se os EUA fracassarem, é preciso ao menos que os iraquianos possam contar com a ajuda internacional para reerguer-se.

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