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Economia

A odisséia das latinhas

A cobrança de depósito na venda de bebidas em latinhas e garrafas descartáveis deve entrar em vigor a 1º de janeiro. Queixas judiciais de última hora e represálias do comércio recolocam o tema na berlinda.

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Sete bilhões de unidades são vendidas ao ano na Alemanha

A poucos dias das festas de fim de ano, duas cortes supremas da Alemanha — a Constitucional e a Administrativa — ainda precisam se ocupar em caráter de emergência com queixas apresentadas por cadeias de supermercados. A intenção: impedir que entre em vigor, a 1º de janeiro de 2003, uma portaria do Ministério do Meio Ambiente. Esta introduz a cobrança de depósito na venda de cerveja, água mineral e refrigerantes embalados em latinhas ou garrafas descartáveis, de plástico ou vidro: 25 cents de euro por lata ou garrafa pequena; 50 cents por embalagem de 1,5 litro.

Velho assunto — O debate em torno das embalagens descartáveis não é novo na Alemanha: ocupa políticos, ambientalistas e comerciantes desde fins da década de 80 e gerou as mais diversas soluções, todas elas passageiras, por não terem conseguido resolver o problema central, ou seja, diminuir a quantidade de lixo. A cada ano vendem-se no país sete bilhões de latinhas de bebidas e a mesma quantidade de garrafas descartáveis.

O atual ministro do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, precisou superar inúmeros obstáculos até conseguir impor a atual portaria, cuja vigência deve começar a 1º de janeiro. Mas só se os tribunais não derem razão aos comerciantes que querem impedir isso pelo menos até que se tenha encontrado uma solução para a cobrança do depósito estipulado.

Problema para grandes e pequenos — Quem mais resiste ao depósito para os cascos descartáveis são as poderosas cadeias de super e hipermercados — algumas das quais são autoras das queixas que correm junto aos tribunais —, além de mercados barateiros, cervejarias de grande porte e outros gigantes como a Coca-Cola. Alegando custos enormes, eles não conseguem chegar a um consenso sobre um sistema unitário de cobrança de depósito, recolha e encaminhamento dos cascos.

Já os donos de quiosques e pequenas lojas de conveniência, que por razões práticas geralmente só vendem bebidas em embalagens descartáveis, vêem-se diante de um impasse. Além de não disporem da infra-estrutura necessária para administrar todo o procedimento, eles temem ter prejuízos caso tenham de devolver aos fregueses o dinheiro do depósito de bebidas que não foram compradas em seu estabelecimento.

Multiplicidade de soluções — Enquanto algumas cadeias vêm anunciando a introdução de um sistema próprio — apresentado por elas mesmas como "solução de emergência" —, a Aldi, a mais conhecida rede barateira da Alemanha, já resolveu que vai retirar a cerveja de seu sortimento, bebida que ela só oferece em embalagens descartáveis. Outros supermercados estão seguindo o exemplo.

Conhecedores do setor calculam que serão retirados das prateleiras cerca de 20 bilhões de litros de refrigerantes em embalagens descartáveis. A Coca-Cola já reduziu sua capacidade nesse tipo de embalagem à metade.

A Associação do Comércio Varejista (HDE) alerta para o possível corte de 2000 empregos nas engarrafadoras, mas não vai além de recomendações vagas a seus associados: que recebam de volta apenas as embalagens que eles próprios venderam. O consumidor é que provavelmente vai pagar o pato: ou não encontrará mais as bebidas costumeiras no supermercado em que faz compras, ou estará à volta com um sem-número de sistemas de talões e fichas para a devolução das embalagens.

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