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Alemanha

A nova-velha guarda de Bush

Mídia alemã lamenta saída de Colin Powell e olha com desconfiança a entrada de Condoleezza Rice. A troca simboliza o prêmio concedido por Bush aos mais leais e reforça o projeto linha-dura para os próximos quatro anos.

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Condoleezza Rice e Colin Powell: troca real e simbólica

Como a Europa vê "a mulher mais poderosa do mundo"? Em princípio, comenta o semanário Der Spiegel, ela já exercia o papel de Secretária de Estado. Pois é ela quem "coordena as questões do governo em relação ao Iraque e, não oficialmente, também ao Oriente Médio. A única coisa que lhe faltava era o título".

Sem contradições ou diferenças

Bush am Union Pier

Bush: prêmio para os mais comportados

A escolha de Condoleezza Rice é, para a revista, a premiação de Bush à lealdade dos seguidores mais disciplinados, treinados, cúmplices. Ou seja, uma tentativa de fazer com que no novo gabinete "todos falem a mesma língua". Nada mais de um Powell simpático aos europeus, fiel à diplomacia do cargo, apesar do parco poder que acabou realmente exercendo. "Nenhum dissenso, nenhuma contradição, nenhuma dúvida mais. A partir de agora, governam os linha-dura", conclui o Der Spiegel.

Afinal, Rice é uma das pessoas mais próximas de George W. Bush. "Ela esteve quase todos os dias a seu lado – na Casa Branca, em Camp David, em suas viagens. Ela já o apoiava quando ele era governador do Texas", lembra o diário Süddeutsche Zeitung.

Enquanto alguns políticos europeus cumprimentam diplomaticamente a escolha de Rice para o cargo – "uma mulher de caráter" (Michel Barnier, ministro francês do Exterior) – alguns jornais alemães acentuam o título da futura Secretária de Estado em sua terra natal: "magnólia de aço". "É difícil prever qual será o grau de influência política da ex-professora da Universidade de Stanford e pianista", analisa o Süddeutsche Zeitung.

Abismo transatlântico ainda maior?

"Powell incorporava a esperança. Nele se concentravam as esperanças de outros EUA, melhores. Sua saída dói", lamenta o diário berlinense Der Tagesspiegel. "Ele era aquele que ainda conversava com a ONU. Era o moderado, o simpático num gabinete que trouxe tanto desgosto à Europa. Aquele que ainda dava ao Velho Continente a sensação de estar sendo levado à sério", sentencia a edição alemã do diário Financial Times.

E agora, pergunta a mídia, será que o abismo transatlântico pode se acentuar ainda mais? Com uma nova "dama de ferro" para a política internacional, que fala a linguagem simbólica essencialmente masculina e reage a todas as intempéries de forma "calma, controlada e hábil"?

A descrição foi feita pelo jornal alemão por ocasião da visita de Rice à Alemanha, em meados deste ano, quando ela teve que ouvir críticas à posição dos EUA frente ao Iraque. "Hábil suficiente para conseguir recuperar a confiança dos cidadãos norte-americanos em seu presidente. Controlada o suficiente, para merecer de Bush a oferta de assumir o Departamento de Estado", concluiu o Süddeutsche Zeitung.

Lamentos pela saída de Powell

Condoleezza Rice und Fischer in Berlin

Joschka Fischer e Condoleezza Rice, em Berlim, em maio último

Tudo denota, enfim, que a troca de nomes foi feita para aplainar quaisquer diferenças entre a Casa Branca e os nomes no governo. Diferenças essas que não eram ignoradas por um Powell interessado no consenso. "A saída do Secretário de Estado foi recebida com pesar na Europa", estampa o diário Frankfurter Rundschau, citando as palavras do ministro alemão do Exteiror, Joschka Fischer: "As relações do governo com ele foram excelentes e sempre afáveis".

Contrapeso europeu

Fato é que a escolha de Rice para o posto de Powell no Departamento de Estado leva os europeus a se unirem ainda mais, para formar um contrapeso à hegemonia norte-americana no cenário internacional. "Há de novo vozes afirmando que países da UE como França, Alemanha e Espanha trabalham na criação de uma potência mundial européia a longo prazo. [...] Se os EUA continuarem se comportando como nos últimos quatro anos, então será extremamente necessário criar um contrapeso", analisa o diário suíço Neue Zürcher Zeitung.

Cotas politicamente "corretas"

Condoleezza Rice e o Secretário de Justiça linha-dura Alberto Gonzales, cumprem ainda uma outra função dentro do novo-velho gabinete de Bush: a de representar segmentos da sociedade que, via de regra, se mantêm excluídos dos círculos do poder – as mulheres, os negros e os latino-americanos ou descendentes destes.

Rice é a primeira mulher negra a conquistar um posto de tamanha importância no cenário político internacional. É pena que acredite que "as decisões políticas são decisões de Deus" e que veja as intrincadas questões do poder tão aliadas a dogmas religiosos e morais.

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