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Alemanha

A nova filosofia de Schröder

Premiê alemão fala na Assembléia Geral da ONU, mas os olhos da mídia voltam-se para seu encontro com George W. Bush. É a primeira reunião dos dois chefes de governo desde os conflitos envolvendo a guerra no Iraque.

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Schröder & Bush: aperto de mãos e volta aos sorrisos de praxe?

Os dois irão se ver nesta quarta-feira (24/9) por apenas 30 minutos. Nestes, garantem os assessores do ministério das Relações Exteriores em Berlim, o destaque será dado às semelhanças e não às dissonâncias entre os dois governos. Na agenda está o combate ao terrorismo internacional, a situação no Afeganistão e, last but not least, o pós-guerra no Iraque. No entanto, as divergências recentes devem ser abafadas. "A Alemanha não se vê como um pólo oposto aos EUA", resumem representantes do gabinete em Berlim.

Caráter simbólico - O peso do encontro não está, contudo, nos meros 30 minutos de conversa entre os dois chefes de governo, mas no valor simbólico da visita de Schröder a Bush. Afinal, trata-se do primeiro aperto real de mãos após uma pausa de um ano e quatro meses.

Se por um lado Schröder reconhece que já é tempo de normalizar as relações transatlânticas - aproveitando inclusive a ocasião para se ausentar sintomaticamente do país, após a derrota homérica de seu partido na Baviera – Bush detecta que o retorno das boas relações com a Alemanha e a França podem lhe ser úteis na reconstrução de um Iraque instável.

Declarações amáveis - Antes do encontro, o presidente norte-americano já deixou transparecer seus propósitos amáveis em relação ao colega. Em entrevista a uma emissora de TV, Bush afirmou que o povo alemão "é essencialmente pacifista, por lembrar as experiências da Segunda Guerra Mundial" e acentuou que Schröder encontrava-se "em campanha eleitoral" durante o conflito que envolveu o ataque ao Iraque. Além disso, para Bush, os alemães não teriam estimado Saddam Hussein "como uma pessoa tão má", como outros o fizeram.

Schröder, oficialmente, vai ao encontro de Bush oferecer ajuda indireta na questão envolvendo o Iraque. Isso significa a disponibilidade do país em oferecer formação especial a forças policiais iraquianas e auxílio técnico. Tudo, no entanto, sem a participação de forças militares. Tanto o envio de soldados alemães ao Iraque quanto contribuições financeiras para a reconstrução do país são definitivamente descartadas por Berlim.

"Tríade dos rebeldes" - Do encontro participam ainda o ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, e seu colega norte-americano, Colin Powell. Sintomático é o fato de Schröder encontrar-se também com os chefes de governo do "eixo" que opôs-se a Washington durante a guerra no Iraque: o francês Jacques Chirac e o russo Vladimir Putin. A tríade, segundo os comunicados oficiais, não quer que a reunião seja interpretada como um sinal de oposição a Washington. O Afeganistão, os conflitos no Oriente Médio, o futuro das Nações Unidas e "questões européias" devem dominar o encontro.

Mito da guerra fria - O que Schröder parece pretender com a visita é, segundo analisa o diário taz, "uma libertação das relações transatlânticas do mito da Guerra Fria. A Alemanha deve continuar sendo um aliado dos EUA, mas deve ao mesmo tempo afirmar sua auto-estima como nação e emancipar-se do posto de aliada-mor dos americanos na Europa".

As conseqüências de tal postura levam, assim, a uma maior responsabilidade do país em questões internacionais. E é exatamente por isso que Schröder deverá acentuar, em seu discurso na Assembléia Geral da ONU, a disponibilidade de Berlim em ampliar seus tentáculos dentro da organização. Passos trêmulos de um premiê em busca de uma nova filosofia para sua política externa.

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