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Alemanha

A nova esquerda alemã, recomposta

A esquerda alemã rachou e tende a se recompor. A criação de uma nova aliança de esquerda, onde dissidentes social-democratas compõem com socialistas, tende a prejudicar sobretudo os verdes.

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Gysi e Lafontaine: socialista e dissidente social-democrata aliados

O novo partido alemão Alternativa Eleitoral por Trabalho e Justiça Social (WASG) elegeu neste fim de semana o ex-presidente do Partido Social Democrata (SPD), Oskar Lafontaine, candidato para as próximas eleições parlamentares, antecipadas para setembro. Os correligionários da nova formação partidária de esquerda também decidiram compor aliança com o Partido do Socialismo Democrático (PDS), sucessor do partido comunista da antiga Alemanha Oriental.

Lafontaine: "Um verdadeiro milagre"

A WASG foi fundada no início deste ano por social-democratas e sindicalistas descontentes com a reforma do sistema social implementada pelo governo Schröder. Nas eleições estaduais da Renânia do Norte-Vestfália, realizadas no final de maio passado, a WASG conquistou 2,2% dos votos, mesmo sem ter lançado candidato de destaque.

Para Lafontaine, a planejada aliança de esquerda com o PDS é uma "chance histórica". O social-democrata, afastado da política durante todo o governo Schröder, se mostrou otimista com esta oportunidade de retomar sua carreira pública: "Já somos benquistos pela população, antes mesmo de nos lançarmos. Isso é um verdadeiro milagre."

Aliança leste-oeste: um mal necessário?

Lafontaine anunciou que quer criar uma frente partidária para desempregados, trabalhadores e aposentados. Ele pretende se "orientar pelo modelo de sucesso da Dinamarca e da Suécia, a fim de conciliar combate ao desemprego e garantia do bem estar social".

O novo candidato da oposição de esquerda não hesitou em denominar a composição com os herdeiros políticos do comunismo do leste alemão uma necessidade circunstancial: "Sem dinheiro, sem organização e com poucos filiados, não houve outro jeito". Ou seja, praticamente um mal necessário.

O velho leste, coisa do passado

A aliança com o recém-constituído núcleo de esquerda renano também é de interesse do PDS, um partido praticamente inexpressivo no oeste do país. O trunfo dos socialistas foi ter conseguido manter um eleitorado estável nos estados na antiga Alemanha Oriental, onde ainda têm uma votação representativa para um partido pequeno.

Juntos, o PDS e a WASG esperam conquistar de oito a dez por cento nas eleições parlamentares de setembro. Compor com os socialistas não é uma estratégia consensual entre os correligionários de Lafontaine, que – por sua vez – considera exagerada a resistência ao PDS: "Já passaram 15 anos desde a queda do Muro. O PDS se transformou bastante. Muita gente atualmente ativa no PDS mal tinha acabado de nascer quando o Muro caiu. Tudo isso faz parte do passado". No entanto, a aliança entre WASG e PDS não promete ser das mais estáveis e pacíficas, como já demonstraram as conflituosas negociações iniciais.

Coalizão indignada

Os partidos da coalizão de governo, ameaçados de perder eleitores para a nova aliança de esquerda, fizeram severas críticas aos dissidentes. O presidente do SPD, Franz Münterfering, acusou Lafontaine de populismo e oportunismo. O verde Joschka Fischer, ministro das Relações Exteriores, lembrou que Lafontaine "tinha tudo nas mãos para contribuir para a política alemã em 1999, mas preferiu se afastar e jogar a chance fora." "Agora ele retorna, para dizer que ele, sim, é que entende das coisas", reclamou Fischer.

O maior perdedor deste movimento será o Partido Verde. Afinal, como membro da coalizão de governo, ele fez concessões muitas vezes incompatíveis com a ala esquerdista. Apesar de ter feito grandes conquistas como partido da situação, sobretudo na política ambiental e de imigração, ele realmente se desgastou junto às bases. "Mais para a esquerda": é esta a reivindicação interna cada vez mais enfática. As bases estão descontentes com os cortes sociais e com a ineficiência da estratégia governamental de combate ao desemprego.

Verdes em isolamento

Embora a WASG tenha sido fundada por dissidentes social-democratas, ela tende a atrair mais filiados e simpatizantes verdes. Segundo dados mencionados pelo diário Frankfurter Allgemeine Zeitung, 20% dos eleitores verdes imaginariam votar na nova aliança de esquerda – um índice nitidamente inferior nos outros partidos. Além de ameaçados pela nova esquerda, os Verdes também estão sendo isolados pelos parceiros de centro-esquerda da coalizão. Ao que tudo indica, a estratégia eleitoral dos social-democratas é conquistar o reduto mais conservador. Para indignação dos verdes, o premiê Gerhard Schröder declarou que a coalizão não fez jus à situação social dos últimos anos. Sobretudo em âmbitos como política industrial e engenharia genética, o SPD está fazendo de tudo para mostrar suas diferenças em relação aos seus parceiros ecológicos.

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