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Economia

A mão que lava a outra

Falsificação de balanços empresariais, fraudes na saúde pública, suborno nas obras públicas. A criminalidade econômica e a corrupção começam a espalhar-se na Alemanha, antes tida como paraíso da honestidade.

Embora em 2001 os casos de criminalidade econômica tenham constituído apenas 1,7% dos delitos registrados na Alemanha, eles causaram prejuízos de 6,7 bilhões de euros, ou seja, 60% do total causado por todos os tipos de crimes. E, segundo a Associação dos Agentes Criminais Alemães, esta é apenas a ponta do iceberg, já que a soma real estaria em torno de 36 bilhões de euros por ano, ou 2% do PIB.

Reunidos esta semana em Wiesbaden, cerca de 350 peritos dos setores policial e jurídico analisaram as questões da corrupção, da criminalidade no mercado financeiro, bem como o motivo da ineficiência de instâncias de controle.

Crime organizado

Enquanto a criminalidade geral diminuiu cerca de 9% desde 1993, o número dos crimes econômicos cresceu mais de 50%. Segundo o ministro do Interior, Otto Schily, eles já compõem uma parte considerável do crime organizado, devendo ser combatidos com maior rigor. Isso, apesar da prioridade atribuída atualmente ao perigo terrorista: "Esse tipo de criminalidade enfraquece a economia, o que acarreta um enfraquecimento do Estado. E quando o Estado está fraco, reduz-se a sua capacidade de defesa em outros setores, também no que concerne à ameaça do terrorismo", afirmou o ministro.

A criminalidade econômica tem numerosas formas: negócios forjados, falsificação de balancetes, fraudes envolvendo subvenções ou investimentos de capital, além de delitos na bolsa de valores e conluios referentes a preços. E, naturalmente, a corrupção, em especial nos setores da construção civil e da administração pública.

Alto grau de corrupção

Um estudo da organização Transparency International atribui um elevado grau de corrupção à Alemanha, que antigamente era tida quase como uma espécie de paraíso da honestidade. Um escândalo recente no meio odontológico ilustra o alastramento do fenômeno: um laboratório fornecia aos dentistas material protético barato, proveniente da China. Os acertos de conta destas próteses – com os seguros de saúde ou com os clientes – eram feitos ao preço elevado de produtos alemães de alta qualidade. O lucro era dividido entre o laboratório e os dentistas.

Empresários subornam políticos, particulares subornam funcionários públicos. A corrupção começou a florescer ultimamente na Alemanha. A professora Britta Bannenberg, especializada no assunto, assegura com base em pesquisas empíricas próprias, que se pode ter certeza de suborno nas grandes obras públicas – aeroportos, estações de tratamento d'água ou auto-estradas. "São estruturas estabelecidas", constata a pesquisadora.

Enquanto alguns poucos enriquecem com tais estruturas, elas causam grandes danos à sociedade. Por um lado, os empresários corruptos têm grandes chances de tomar o lugar de seus concorrentes mais honestos no mercado. Ou, ao utilizar materiais de baixa qualidade, eles expõem todos a consideráveis riscos de segurança.

Obras obsoletas

Müllverbrennungsanlage der Stadt Köln

Usina de incineração de lixo de Colônia

Chegam a ser realizadas obras totalmente desnecessárias. Este foi o caso da construção de uma estação de incineração de lixo em Colônia, havendo grande capacidade ociosa nas usinas de incineração das cidades vizinhas. Segundo Hansjörg Elshorst, da Transparency International, essa obra nunca teria sido executada, se não houvesse corrupção.

Muitas vezes, o combate da corrupção depende do acaso ou do empenho de pessoas honestas, dispostas a arriscar o próprio pescoço. Por isso, Britta Bannenberg insiste em que é necessário oferecer proteção efetiva a tais testemunhas. Assim, as chances de quebrar o círculo vicioso da corrupção seria muito maior.

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