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Alemanha

A justificativa que não é

As declarações do vice-secretário da Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, de que as armas de destruição em massa não foram a principal causa da guerra contra o Iraque ocupam os editorialistas alemães.

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Paul Wolfowitz reacende debate sobre motivos da guerra contra o Iraque

Stuttgarter Zeitung: "Até hoje as armas de destruição em massa não foram encontradas. E agora o vice-secretário da Defesa norte-americano, Paul Wolfowitz, admite inclusive que tais armas não foram o motivo principal da guerra contra o Iraque. Tampouco existiu um vínculo com a Al-Qaeda. O mundo não se tornou mais seguro com essa guerra. Mas, depois de ter apresentado sempre novas justificativas para a guerra, de ter praticado uma política de informação falsa também perante o Conselho de Segurança da ONU, a potência mundial terá mais dificuldades no futuro para voltar a atacar como fez no caso do vilão Saddam. Bush perdeu credibilidade em seu país e no exterior, no que diz respeito a uma guerra. Será que se vai acreditar nele outra vez? É mais provável que não."

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Tudo indica que o governo Bush teve receio de expor a um debate, de maneira franca e ofensiva, sua verdadeira intenção: a de neutralizar o potencial de crise e violência do Oriente Médio e reorganizar a região por meio do poderio norte-americano. Ninguém se deixa enganar por uma estabilidade aparente, cujo cerne é constituído pelo terrorismo, o fundamentalismo, a ditadura e a violência. Se Washington quer mudar isso, deveria apresentar abertamente seus interesses e não fazer seus parceiros de bobos. Pois, desse jeito, ficam solapadas a credibilidade e a legitimidade. E mesmo uma potência imperialista não consegue passar sem elas."

Die Welt: "A confissão de Wolfowitz, o qual deveria saber que, com isso, coloca o mais estreito aliado de novo em dificuldades, torna mais uma vez claro que os serviços secretos são sobretudo instrumentos de seus governos, submetendo-se a interesses e provocando tendências. E que, ao que tudo indica, precisam aceitar que seus relatórios sejam às vezes manipulados em função da mídia e da opinião pública. Não é preciso falar logo de uma 'mentira do Estado', por causa disso. Mas a confiança nas lideranças políticas devem ter sofrido prejuízo."

Neue Osnabrücker Zeitung: "Tanto Blair quanto Rumsfeld confirmam indiretamente todos os que tinham duvidado das justificativas para a guerra. O vice-secretário da Defesa, Paul Wolfowitz, o diz diretamente. Com o argumento das armas atômicas, químicas e bacteriológicas, o que se queria era conseguir um amplo respaldo para a guerra. Mas a intenção principal era substituir o duvidoso aliado Arábia Saudita pelo Iraque como base para as tropas norte-americanas. Com essa frase, o linha-dura fez desmoronar o cuidadosamente constituído castelo de cartas de justificativas bélicas. Não é de se esperar que o presidente Bush, de forma autocrítica, submeta a uma revisão sua concepção de mundo dividido em amigos e inimigos. Mas quem sabe se sensibilizem aqueles políticos e meios de comunicação norte-americanos que se calaram diante da guerra ou a apoiaram abertamente. Seria desejável, mesmo porque os dirigentes de Washington estão agora argumentando com relação ao Irã da mesma forma que o faziam há pouco a respeito do Iraque."

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