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Alemanha

A invasão dos hedonistas saudáveis

Plantar cenouras e espinafres virou estilo? Em Berlim, os pequenos jardins particulares conhecidos como "Schrebergärten" viram moda e atraem uma nova leva de adeptos: jovens, em busca de uma "vida mais saudável".

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Apesar da tradição kitsch, moda entre descolados

No total, são quatro milhões deles espalhados pelo país. A lista de espera para conseguir arrendar um costuma ser longa, dependendo do lugar onde estão localizados. São os chamados Schrebergärten – jardins que levam o nome do médico Daniel Schreber, que viveu em Leipzig e desenvolveu a idéia de pequenos pedaços de terra, destinados a refrescar os ânimos dos habitantes das grandes cidades.

Depois de décadas de fama como nichos caretas, onde cada graminha fora de lugar poderia significar problemas com o vizinho, estes pequenos jardins estão voltando como alternativa de área verde para quem mora na cidade. "É bom ter para onde ir no fim de semana", conta Dirk Ziegler, um alemão de 35 anos, pai de dois filhos e proprietário de um desses jardins bem no meio de Berlim. "Ter um jardim no centro é perfeito, porque o acesso é fácil e para as crianças é ótimo ter um lugar para brincar", completa.

Fartos da vida urbana

Berliner Schrebergärten und ihre Besitzer

Dirk Ziegler

Dirk representa uma geração que passou dos 30, está farta de noites em bares enfumaçados e busca uma nova forma de contato com a natureza. Há três anos atrás, ele e sua namorada arrendaram um Schrebergarten no bairro Prenzlauer Berg, em Berlim. Uma região, diga-se de passagem, que está longe de ser um idílio rural e é mais conhecida por seus bares e brechós.

"Os jardins estão na moda", diz Jürgen Hurt, presidente da Associação Berlinense dos Jardineiros, em entrevista ao diário Berliner Zeitung. De acordo com uma pesquisa realizada pela associação, a média de idade dos adeptos dos Schrebergärten caiu de 56 para 46 apenas nos últimos seis anos.

Concreto ao redor. E daí?

Hoje, os pedestres que passam, por exemplo, pela movimentada Ponte Bornholmer, em Berlim, se derem uma olhadela para baixo, vão dar de cara com um desses jardins. Rodeados pelo ruído urbano, por vias de acesso rápido e shopping centers, eles às vezes são tudo menos um poço de tranqüilidade.

Para os novos adeptos da moda, isso não importa. Eles se misturam com prazer à "velha guarda" dos jardins, que às vezes vão passando de geração a geração e ficam décadas nas mãos de uma mesma família.

"Meu avô arrendou este durante a recessão dos anos 20, quando as pessoas na cidade precisavam de seus jardins para viver. Plantar legumes neste pequeno pedaço de terra era necessário, porque se você não cultivasse, não teria o que comer", conta uma representante da antiga geração de um Schrebergarten.

Berliner Schrebergärten und ihre Besitzer

Mudança de perspectiva

Uma realidade bem distante da atual, quando plantar cenouras ou espinafres parece ter virado in. "Os Schrebergärten foram considerados por muito tempo convencionais e chatos, mas não são mais", diz o pesquisador de tendências Eike Wenzel.

O fenômeno, no entanto, não está aliado ao fato de que férias longe de casa são mais caras. "Na verdade, isso não tem nada a ver com o fato de que o país passa por uma crise econômica. Trata-se mais de uma tendência de se voltar à natureza, a satisfação de fazer as coisas você mesmo, usando suas próprias mãos", diz Wenzel.

E vai ainda mais longe, ao diagnosticar o fenômeno como o reflexo de uma mudança de valores na sociedade: uma volta à tradição e o desejo de um ritmo mais lento de vida. "Os anos 90 foram uma década muito conturbada com uma tecnologia acelerada, modernização, digitalização. Agora as pessoas sentem que vão ficando desapontadas com estes progressos e o que realmente querem é uma vida familiar tranqüila e valores antiquados. A ligação com a natureza é um fator chave neste sentido", explica o pesquisador.

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