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Mundo

A improvável aliança entre esquerda e populistas de direita na Grécia

Coalizão montada para vialbilizar novo governo ressalta pontos de consenso entre programas do Syriza e dos Gregos Independentes. Mas há também diferenças significativas, que podem atrapalhar no dia a dia político.

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Panos Kammenos (esq.) e Alexis Tsipras em Atenas: opostos que se atraem?

A aliança política entre os esquerdistas do Syriza e os populistas de direita Gregos Independentes não é totalmente inesperada. Ambos se referem ocasionalmente aos credores internacionais como "ocupadores da Grécia" e são opositores acirrados das medidas de austeridade impostas pela assim chamada troica – formada por União Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI).

Com grande ardor, os Gregos Independentes também apoiam as exigências à Alemanha de reparação pelos crimes da Segunda Guerra Mundial – da mesma forma que o partido de Alexis Tsipras.

As duas legendas se aproximaram já em 2012, ao votarem contra o programa para cortes de gastos do então primeiro-ministro Antonis Samaras. Desde então, elas passaram a raramente se atacar mutuamente no Parlamento. Agora, em aliança, os Gregos Independentes garantem a maioria para que Tsipras chefie o governo.

Tropeços no dia a dia

Apesar das concordâncias quanto à política de austeridade, os programas dos partidos diferem em outras questões centrais. Os populistas de direita se opõem à separação entre Igreja e Estado, pleiteiam alívios fiscais como incentivo ao investimento e querem a extradição dos imigrantes sem documentos. Para o Syriza, essas são todas exigências inaceitáveis.

Na opinião de Alexis Papachelas, diretor do jornal liberal-conservador Kathimerini, tais diferenças fundamentais, também em relação à política externa, "vão certamente chamar a atenção no dia a dia político".

No exterior, afirma o jornalista, a aproximação entre as duas legendas é vista como indicador de uma posição radicalmente contrária aos países credores, mas não se deve esquecer que "no contexto da crise econômica, a política tem aprontado surpresas". "Com frequência temos visto um político mudar de opinião depois de assumir o governo", comenta Papachelas.

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Entre os Gregos Independentes, a opinião que mais conta é a de seu líder, Panos Kammenos. O ex-vice-ministro da Marinha Mercante fundou o partido em 2012, depois de abandonar o Nova Democracia, por rejeitar veementemente a política de austeridade do então partido governista.

A atual legenda de Kammenos tem entre seus principais atrativos um bom número de VIPs em seus quadros, da modelo Helena Kountoura e o apresentador de TV Terence Quick, a Pavlos Haikalis, um dos humoristas mais populares da Grécia.

No Parlamento Europeu, o deputado grego Notis Marias, dos Independentes, é vice-presidente da bancada do grupo Reformistas e Conservadores. Sua facção é politicamente próxima ao nacionalista Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), que combate a política de integração europeia.

Projeção e escândalos

Embora pessoalmente simpático, Panos Kammenos tem também se provado um mestre da campanha eleitoral populista. Pouco antes das eleições em seu país, ele esbravejava contra a "ditadura da poupança" da troica e contra a pobreza crescente, que segundo ele forçou tantos gregos a emigrarem.

"Nós vamos trazer os seus filhos de volta para casa", prometia, diante de um público visivelmente comovido.

Kammenos já fez nome na política internacional, em parte graças a suas posições controversas. Em dezembro de 2011, apresentou-se diante de um tribunal militar como defensor não convidado de soldados de elite acusados de divulgar palavras de ordem racistas e de incitação popular.

Na década de 90, lançou um livro bastante apreciado sobre terrorismo internacional. Porém, a publicação se tornou fonte de dor de cabeça para o atual líder dos Gregos Independentes quando o verdadeiro autor se apresentou, exigindo seu honorário.

Pior ainda, o ghost-writer era Giorgos Georgalas, jornalista de tendências nacionalistas e antigo porta-voz da junta militar que governou a Grécia de 1967 a 1974. Kammenos nega ter contratado Georgalas.

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