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Alemanha

A ilusão de uma comunidade islâmica na Alemanha

Onde os alemães pensam haver uma ligação religiosa estreita, os muçulmanos de diferentes nacionalidades mantêm barreiras talvez intransponíveis. E a integração conjunta da comunidade parece pura abstração.

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Diferenças nacionais contam mais do que harmonia religiosa?

Nas manchetes alemãs eles aparecem como "jovens muçulmanos", quer o contexto seja positivo, quer negativo. Pode tratar-se do êxito de um projeto juvenil, ou de gangs urbanas que aterrorizam bairros inteiros: para a opinião pública pouco importa se sua origem é turca, palestina ou árabe. Também pouca diferença faz, se nasceram na Alemanha, se já fazem parte da terceira geração vivendo aqui, ou se só chegaram há apenas poucos anos. E certamente alguns nem sequer são muçulmanos.

Isso vale para os que estão de fora; internamente as "pequenas diferenças" são fonte de rivalidade entre os jovens. Um exemplo é Ahmed, de 24 anos: nascido na Palestina, ele chegou ainda pequeno com seus pais à Europa: "Sempre tive problemas com os turcos. Sempre que alguma prima está andando pela rua e os rapazes turcos mexem com ela. Aí vem toda a família, primos, irmãos, todo mundo se mete e a briga começa".

A defesa da própria família é geralmente a explicação dessa disposição hostil, a tendência de resolver conflitos de forma violenta. Cihan, um curdo de 20 anos, confirma as palavras de Ahmed, só que da perspectiva oposta: "Os árabes têm famílias grandes. Quando um se desentende, a briga é com todo o mundo". Onde os alemães pensam haver uma ligação estreita entre as diferentes nacionalidades, devido à religião comum, eles próprios traçam uma clara linha divisória.

Reagindo à discriminação

Com freqüência os conflitos são também uma questão de estabelecer e defender a hierarquia entre os grupos. Uma linguagem corporal de masculinidade ostensiva sinaliza ao meio ambiente supostamente hostil a prontidão para o ataque, sobretudo diante dos outros grupos de estrangeiros.

Os jovens de origem turca ou árabe que vivem no estrangeiro tentam compensar sua vivência de discriminação acentuando o que têm de único. Trata-se de um fenômeno comum entre imigrantes, que resulta num orgulho nacional inflacionado, acompanhado por uma certa tendência reacionária. Pois, sem qualquer reflexão, eles automaticamente julgam seus companheiros de faixa etária segundo os valores de seus pais.

Orgulho nacional e falta de integração

Assim define Murat, de 21 anos, sua condição nacional: "Ser turco é ser parte do Império Otomano. Durante 600 anos regemos todo o mundo, quase todo o mundo. Não permitimos que nos oprimam, como os árabes lá [no Oriente Médio]."

Declarações como esta tornaram-se mais freqüentes nos últimos tempos. Elas são uma reação à desconfiança latente da população alemã desde o 11 de setembro, ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio e às tentativas frustradas da Turquia de entrar para a União Européia.

E tudo indica que a "comunidade islâmica" tornou-se mais conservadora nos últimos 40 anos. Reunidos, todos esses fatores dão a impressão de que a integração conjunta dos muçulmanos não passa de utopia.

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