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Alemanha

A hora do veredicto

Social-democracia alemã cede à pressão das bases e convoca uma convenção extraordinária para junho próximo. O que é apenas um debate sobre o programa do partido, pode ser uma sentença sobre o futuro do chanceler federal.

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Schröder: empurrado para escanteio pelo próprio partido?

Na pior das hipóteses, os rachas internos entre os social-democratas poderiam se transformar em verdadeiros abismos no próximo 1º de junho, data marcada para a convenção extraordinária do partido, anunciada na última segunda-feira (14).

A conseqüência de um "não" ao programa de governo poderia significar, neste caso, nada mais nada menos que a renúncia de Schröder ao posto de chanceler. Decisão que seria desencadeada pela explícita certeza de que os líderes do partido não estariam mais representando suas bases. Algo que faz lembrar a derrubada do também social-democrata Helmut Schmidt, em 1982, afastado do poder por seu próprio partido.

Cortes ou não - Apesar da pouca probabilidade de que o chefe de governo perca o apoio dos próprios correligionários, a simples decisão de convocar uma convenção especial do Partido Social Democrático (SPD) é prova de que as lideranças não conseguem mais esconder as divergências internas. As razões estão no paradoxo que assombra a atuação de Schröder: cortar parte dos benefícios sociais de um país, há décadas acostumado a uma série de mordomias, ou manter o status quo à custa do aumento de impostos e encargos sociais.

Falta de definições - A questão afeta princípios considerados básicos pelos social-democratas: como abdicar das funções sociais do Estado em prol de idéias neoliberais, sem despedir-se das próprias convicções? A ala esquerda do partido condena os cortes anunciados por Schröder e sua equipe, vendo, sim, no aumento de impostos e encargos sociais a chance de salvar o país.

Gerhard Schröder mit SPD Logo

A questão vai ainda mais além: social-democratas precisam sentar-se à mesa para debater o que o partido entende por um "Estado que garanta o bem-estar social". Entretanto, "a oposição interna mostra-se tão perdida e sem voz quanto o próprio Schröder", estampa o diário taz, die tageszeitung.

Como se estivesse bêbada frente a uma encruzilhada, a social-democracia não sabe bem para onde correr: em direção ao modelo escandinavo, onde a população muito exige do Estado, mas ao mesmo tempo mostra-se apta a pagar por isso? Ou rumo ao modelo anglo-saxão, onde se encontra uma menor predisposição para pagar pelos benefícios sociais, mas ao mesmo tempo exige-se menos do Estado? O que alemães parecem não ter ainda percebido é que as duas coisas - usufruir do bem-estar social sem pagar por ele - não anda mais funcionando em tempos de fraca conjuntura.

Modelo deixa de funcionar - A atual estrutura social alemã é vista por muitos como uma faca de dois gumes. Os enormes encargos sociais, por exemplo, que emperram a vida de pequenas e médias empresas, acabam impedindo a criação de novos empregos, formando um círculo vicioso. Para manter todo o aparato que gerencia os benefícios sociais no país, recolhe-se um volume maior de impostos. No entanto, é possível que, se esse dinheiro ficasse nas mãos do contribuinte, pudesse reverter em novos empregos.

Diálogo com o chefe - O tom de lamento vindo do próprio corpo do SPD aparece, para azar de Schröder, exatamente no momento em que sua popularidade começava a crescer e que a mídia se tornava um pouco mais amena frente à sua atuação. Para a oposição, o anúncio da convenção especial do SPD é um prato cheio: democrata-cristãos diagnosticam uma perda de autoridade do chefe de governo, que não estaria mais contando nem com a retaguarda do próprio partido.

Especulações à parte, é esperar para ver o que as bases social-democratas têm a dizer a seu líder em 1º de junho próximo. Mesmo antes disso, o desejo de "chamar o chefe às falas", em si, já indica que a situação não é das melhores.

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