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Economia

A história da maior feira mundial de tecnologia da informação

Em poucos anos, a CeBIT evoluiu de setor temático da Feira Industrial de Hannover para a maior feira do mundo do setor de tecnologia da informação e telecomunicação.

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CeBIT: a maior feira mundial do setor

Desde 1986, fornecedores e usuários desse setor encontram-se anualmente, na primavera européia, na CeBIT em Hannover. A estréia da exposição, em 12 de março daquele ano, foi precedida por um complicado e moroso processo decisório. A indústria de processamento de dados contribuía de forma decisiva para o sucesso extraordinário da maior feira industrial do mundo. Os expositores desse ramo atraíam, além de especialistas, milhares de visitantes leigos em computação.

As origens

Já no final da década de 50, a chamada "indústria de escritório" ocupava o terceiro lugar entre os setores presentes na Feira de Hannover. Com o avanço da eletrônica, na década de 60, esse segmento destacava-se anualmente com uma série de novidades na exposição industrial. Assim, por exemplo, Heinz Nixdorf, mais tarde empresário modelo do setor de informática na Alemanha, apresentou pela primeira vez em 1965, em Hannover, seu legendário processador universal 820.

Em 1970, a Deutsche Messe AG ressaltou com a construção do novo pavilhão, na entrada norte do parque de exposições, o significado desse ramo industrial para a Feira de Hannover. O imponente edifício de três andares tinha garagem subterrânea com vagas para cerca de dois mil expositores, uma área de exposição bruta de 70.300 m² no térreo e 750 estandes pré-moldados no andar superior. Em 1984, ele entrou para o Livro Guinness dos Recordes como "o maior pavilhão de exposição térreo do mundo".

O nome da feira

Com a construção do novo pavilhão, em 1970, a exposição especial da indústria de escritório recebeu um novo nome: CeBIT – Centro da Tecnologia de Escritório e Informação. Ele foi preferido por maioria apertada do conselho de expositores em detrimento do nome CeBOT – Centro de Tecnologia de Escritório e Organização. A vitória – ainda que apertada – da sigla CeBIT deveu-se ao fato de a sílaba "BIT" designar a menor e mais importante unidade do computador. Com isso, os organizadores pretendiam destacar a crescente importância do processamento eletrônico de dados. De fato, nas décadas de 70 e 80, quando os fabricantes de computadores pessoais (PCs) invadiram a Feira de Hannover, a maioria das conversas giravam em torno de bits e bytes.

Na inauguração do pavilhão da CeBIT, ninguém podia imaginar, porém, que o setor de informática fosse expandir-se para uma série de novos segmentos e ramos empresariais e caracterizar-se, em parte, por impressionantes ondas de crescimento. O espaço para estandes no enorme pavilhão de exposições logo se esgotou. Por isso, no final da década de 70, a Deutsche Messe AG colocou à disposição dos expositores da área de informática os pavilhões 2 e 18, aos quais se juntou ainda o pavilhão 3, no início dos anos 80. Mas isso foi apenas uma solução provisória.

Era cada vez maior o número de fornecedores de equipamentos e softwares de processamento de dados – sem falar dos emergentes fabricantes de PCs – que queriam aproveitar a CeBIT, no âmbito da Feira de Hannover, como plataforma de apresentação de seus produtos. O Centro de Tecnologia de Escritório e Informação transformara-se em Centro Mundial de Tecnologia de Escritório, Informação e Comunicação.

O desmembramento da CeBIT

Apesar da ampliação do parque de exposições de Hannover, nem todas as empresas de informática interessadas em expor seus produtos obtinham da Deutsche Messe AG uma área para montar seus estandes na CeBIT. Já em 1980, o ramo de informação e comunicação ocupava o segundo lugar em número de expositores, atrás da eletrotécnica, e apresentava a maior lista de espera por estandes. A ampliação da mostra para outros pavilhões praticamente não surtiu efeito. A demanda de mais espaço para exposição só poderia ser atendida com a divisão da feira.

Em novembro de 1984, a Deutsche Messe AG anunciou que, a partir de 1986, realizaria anualmente em março a CeBIT e, quatro semanas depois, em abril, a Feira Industrial de Hannover. A decisão fora precedida por longas conversas com as principais entidades expositoras e líderes empresariais. As discussões envolveram principalmente uma avaliação do mercado e dos riscos potenciais da divisão. A principal pergunta era: "O que acontecerá, se não tomarmos uma providência?".

A última feira unificada, em 1985, demonstrou que a divisão era inevitável. O número de expositores do campo da informação e telecomunicação (1300) dobrara em relação a 1970, e 870 empresas estavam na lista de espera. A área alugada aumentara para 130.600 m² e o público interessado nas novidades desse ramo quintuplicara, chegando a 293 mil pessoas.

Com cerca de sete mil expositores e mais de 800 mil visitantes, a Feira de Hannover de 1985 comprovou que as capacidades do parque de exposições estavam esgotadas. O assunto mais discutido nessa feira foi justamente a decisão de criar uma exposição independente para a indústria de escritório, informação e comunicação. O defensores da idéia apontavam como principais vantagens a ampliação do espaço e a criação de melhores condições para os expositores. Já os adversários temiam que uma CeBIT autônoma, sem o ambiente industrial, perderia em atratividade, o que não se confirmou nos anos seguintes.