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Economia

A guerra do Iraque no ambiente de trabalho

A polêmica termina na porta da empresa. Em algumas multinacionais teuto-americanas, a guerra do Iraque é tema proibido, a fim de preservar um bom clima de trabalho.

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Alemães contra a guerra: debate deve ficar fora das subsidiárias nos EUA

As divergências políticas entre colegas alemães e americanos a respeito do conflito no Golfo Pérsico devem ser mantidas fora da empresa: esta é a palavra de ordem da maioria das multinacionais teuto-americanas, tanto na Alemanha, como nos Estados Unidos. Segundo Dierk Müller, superintendente da Câmara de Comércio Teuto-Americana em Frankfurt do Meno, as posições e convicções políticas em tal questão não são debatidas dentro das empresas.

Na opinião de Andreas Bittner, do Instituto de Gerenciamento Intercultural (IFIM), os conglomerados multinacionais evitam com razão o surgimento de polêmicas, que poderiam ser um verdadeiro veneno para o clima de trabalho e para a produtividade. Ele aconselha os funcionários alemães que assumem tarefas nos Estados Unidos a se manterem discretos no que se refere às suas opiniões sobre o tema.

Sexo, política e religião

Bittner chama a atenção para as diferenças de comportamento entre americanos e alemães: "Os americanos partem do pressuposto de que sexo, política e religião não são temas apropriados para um small talk." Ao contrário dos alemães, eles não gostam de ser envolvidos em controvérsias.

As opiniões políticas divergentes só são debatidas em conversas com bons amigos, afirma o especialista. Também uma porta-voz da empresa automobilística teuto-americana DaimlerChrysler, em Stuttgart, é da mesma opinião. A seu ver, no entanto, os colegas alemães nos Estados Unidos teriam aprendido a manifestar as suas opiniões pessoais, sem tentar "converter" os americanos.

Símbolo dos EUA

Para Andreas Bittner, a pior gafe política que um alemão pode cometer junto a seus colegas americanos neste contexto é afirmar que a guerra do Iraque é motivada pelo interesse no petróleo: "A mensagem significa, neste caso – 'o presidente está mentindo para vocês'. E isto é muito mal aceito".

Nos Estados Unidos, o presidente é um dos símbolos da Nação, ao lado da bandeira, da Constituição e do hino nacional. "A afirmação é vista então como um ataque ao país e suscita invariavelmente um contra-ataque", afirma o especialista em comunicação intercultural.

Conseqüências drásticas

Na Siemens, não se registram tais ataques retóricos, segundo o porta-voz da empresa, Thomas Weber: "A questão é debatida principalmente nos Estados Unidos, onde 95% dos nossos funcionários são americanos". A empresa encara o problema com tranqüilidade, afirma. "Estamos acostumados a tratar com muitas nações, religiões e culturas há mais de 150 anos", ressalta Weber.

Uma outra grande empresa alemã com subsidiária nos Estados Unidos não conseguiu, no entanto, manter tal serenidade. Quando um dos seus empregados americanos escreveu uma carta ao governador, em papel timbrado da empresa, afirmando envergonhar-se de trabalhar para uma firma alemã, as conseqüências foram drásticas.

Argumentos de conciliação

Um outro caminho é trilhado pela empresa alemã SAP, produtora de software para gerenciamento empresarial. Em vez de ignorar o assunto ou tentar impedir uma polêmica interna entre os 500 funcionários alemães e americanos nos EUA, a SAP optou por oferecer mediação e argumentos de conciliação. O tema da guerra no Iraque não foi considerado tabu dentro da empresa, mas procurou-se incentivar a compreensão mútua.

Segundo o porta-voz da SAP, Herbert Heitmann, alguns dos funcionários alemães viram-se acuados por colegas americanos de opinião divergente. Mas receberam apoio da empresa: "Tentamos deixar claro nos EUA que a Constituição alemã – para a qual os americanos muito contribuíram – define claramente o que nos é permitido ou proibido. Uma guerra ofensiva não está entre as ações permitidas pela Constituição alemã".

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