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Mundo

A Grécia vai ficar mais cara

A partir desta segunda-feira, a Grécia vai aumentar seus impostos. Especialistas têm dúvidas sobre a eficácia dessa medida e afirmam que ela pode agravar a recessão.

Supermarkt in Thessaloniki

Supermercado em Tessalônica

A última piada sobre a crise que está sendo contada na Grécia começa assim: um grego compra um pacote de espaguete no supermercado e quando chega ao caixa o funcionário pergunta "o senhor gostaria de embalagem para presente?". "Não, obrigado. É para mim mesmo", responde o grego.

É um sinal de que a população consegue manter o bom humor em tempos de crise. Mas não é possível disfarçar que, a partir desta segunda-feira (20/07), a vida vai se tornar muito mais cara na Grécia.

Um aumento na taxa de imposto sobre valor agregado (VAT) em alimentos básicos e certos tipos de serviço foi uma demanda-chave dos credores da Grécia, e foi aprovada pelo governo grego na semana passada depois de um tenso debate.

O resultado: o VAT de alimentos como arroz, massas, produtos de panificação, salsichas, café, chá, açúcar, entre outros, vai subir para 23%. Espera-se que essa ação aumente rapidamente a arrecadação por parte do governo. O Tesouro grego espera arrecadar 54 milhões de euros a mais por ano só com a incidência mais alta do VAT sobre os produtos de panificação – isso, claro, se a demanda não entrar em colapso.

Um país sem prognósticos

Consultado pela DW, o professor de economia Panagiotis Petrakis afirma que o complicado mercado grego não permite nenhum prognóstico.

"Um aumento de impostos pode impulsionar as receitas do Estado no curto prazo, ao mesmo tempo em que aumenta a chance de uma recessão no médio prazo. Uma coisa não exclui a outra", explica.

Nos últimos tempos, os gregos tiveram um comportamento econômico incomum, afirma Petrakis. Ele cita como exemplo o recente fechamento dos bancos e o limite de saques diários. "Com medo de perder totalmente suas poupanças, muitas pessoas passaram a consumir mais, e não menos, e pagaram por meio de transações eletrônicas. É impressionante que, precisamente nesta situação econômica difícil, a demanda por determinados bens não caia, mas dê um salto repentino", analisa.

Fardo adicional

Um estudo conduzido pelo Instituto Ateniense de Pesquisa do Varejo (IELKA) sugere que impostos mais altos vão provocar um gasto adicional médio de 157 euros por ano para cada família. A indústria hoteleira e os restaurantes terão um aumento de impostos, e os táxis também ficarão mais caros.

E isso não é tudo: as pequenas empresas devem se preparar para pagar mais impostos antecipados. A taxa de solidariedade sobre rendimentos mais elevados será aumentada de forma retroativa para incluir os primeiros meses do ano.

Muitos especialistas estão certos de que a elevação do VAT não vai gerar muita arrecadação extra para o governo, mas vai apenas reforçar a queda da Grécia em uma recessão.

"Medidas de taxação como essa sugam recursos do ciclo econômico e agravam a recessão", afirmou o economista Michalis Argyrou no canal de TV grego Skai.

Só há uma única maneira razoável para compensar esse fardo extra: um aumento dos investimentos na Grécia. Mas mesmo isso só seria eficiente no médio prazo - e a medida também teria que ser acompanhada de garantias e regras confiáveis para os investidores.

"O aspecto mais importante seria o aperfeiçoamento da segurança jurídica, uma reforma da administração pública e a aprovação de uma lei moderna de falência", afirmou Argyrou. "O povo grego precisa ter finalmente uma perspectiva otimista para os próximos anos. É isso é algo que o governo deve prestar atenção."

Sem descontos

Nas negociações com os credores, Atenas cedeu em um ponto importante ao revogar o incentivo fiscal às ilhas gregas, que por muito tempo gozaram de impostos 30% mais baixos do que no resto do país – uma compensação pelos custos de transporte mais elevados –, o que beneficiava moradores e turistas. Esses descontos devem acabar em outubro de 2015.

"O aumento das receitas provenientes das ilhas deve contribuir para a arrecadação anual de 2,2 bilhões de euros provenientes do VAT", afirma Petrakis. Mas a associação comercial grega ESEE adverte que o custo de vida nas ilhas pode aumentar em 12%.