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Cultura

A gentil arte de roubar quadros

O roubo de arte tem uma tradição antológica e já foi tematizado pela própria arte. A nova moda agora é o furto em galerias, geralmente praticado por ricos clientes e colecionadores.

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Roubo do único Rembrandt dinamarquês vira tema de filme

Por maiores medidas de segurança que os museus tomem, volta e meia se noticia o roubo de alguma obra de arte. Na Alemanha, o furto mais recente foi o de um quadro do Museu Wallraf Richard, em Colônia: Paisagem de Inverno, do mestre holandês Esaias van de Velde, de 1629. O quadro é menor que uma caixa de charutos. Tão fácil de ser escondido que os ladrões cumpriram sua missão em pleno horário de abertura do museu, sem a mínima dificuldade.

Roubos espetaculares e Art Loss Register

O roubo de arte também é tema do recente filme do dinamarquês Jannik Johannsen, Stealing Rembrandt, recém-estreado na Alemanha. O roteiro toma como ponto de partida a história verídica do roubo de duas pinturas de um museu dinamarquês, no valor de 25 milhões de dólares. Os ladrões, amadores como eram, não sabiam que tinham acabado de roubar o único Rembrandt da Dinamarca e um Bellini. Não demorou muito para o maior roubo de arte da história do país ser solucionado pela polícia e os ladrões irem parar na cadeia.

Mas não é sempre que estas histórias têm um final feliz para os museus. É para estes casos que serve o Art Loss Register, um empreendimento internacional que ajuda a esclarecer o roubo de obras de arte. Fundado em Londres, em 1991, o ALR possui representações em Nova York, Colônia e São Petersburgo, constituindo o maior banco de dados de arte roubada de todo o mundo, com informações sobre 150 mil obras desaparecidas. Em colaboração com a polícia, a instituição já conseguiu descobrir o paradeiro de obras de arte roubadas num valor total de mais de cem milhões de dólares. Todo mês, o ALR recebe cerca de mil anúncios de roubos.

Roubos cotidianos e a lei do silêncio

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Paisagem de Inverno, de Esaias van de Velde

Mas há um tipo de roubo de arte para o qual o Art Loss Register não tem muita serventia. Trata-se do hábito relativamente novo de roubar peças expostas em galerias. Não são estranhos que arrombam as galerias na calada da noite, mas sim os próprios clientes que afanam as obras em suas regulares visitas. O mais curioso é que os galeristas preferem silenciar, preferindo arcar com o prejuízo financeiro a desmascarar o ladrão.

De acordo com um relato do FAZ.net, a versão online do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, as galerias roubadas raramente dão parte do furto à polícia ou recorrem ao seguro. Muitas obras são passadas adiante por debaixo dos panos, ou seja, o comprador também se mantém anônimo, de forma que se torna difícil localizar o paradeiro de obras contemporâneas roubadas. O mercado internacional de arte tem algo de uma zona de livre comércio para lavagem de dinheiro — uma estranha combinação propiciada pela lei do silêncio que reina entre os galeristas.

Medo de perder clientes e o roubo de ladrão

Os ladrões são em grande parte os melhores clientes, os colecionadores mais assíduos: qualquer reação por parte dos galeristas poderia irritá-los e levá-los a ir procurar um outro endereço. Em muitos casos, trata-se de obras expostas em consignação. Quando desaparecem, os galeristas preferem pagar do próprio bolso. Ao contrário dos espetaculares roubos de museu, as obras desaparecidas não são reencontradas no mercado internacional depois de alguns anos ou meses. O que é roubado das galerias geralmente fica pendurado na sala de estar dos ricos.

O artista alemão Ralph Bageritz (Colônia, 1958), conhecido por suas polêmicas ações, considera uma honra ser roubado. Numa de suas recentes exposições, em Munique, desapareceu uma obra sua, intitilada justamente Stolen Objects. O trabalho consiste de objetos que ele mesmo afanou em supermercados, inventariados com data e lugar do furto. Assim como os colecionadores saqueadores de galerias, este ladrão pode contar com mil anos de perdão.

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