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Alemanha

A escolha de um símbolo nacional

O primeiro chanceler federal da Alemanha, Konrad Adenauer, foi eleito o "melhor alemão" de todos os tempos. Após resultados iniciais grotescos, o concurso da emissora ZDF chegou a uma lista final convincente.

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Konrad Adenauer, chefe de governo de 1949 a 1963

Com exatamente 778.984 votos de um total de 1,8 milhão, Konrad Adenauer (1876–1967) – a quem os alemães chamam carinhosamente de "o Velho" – saiu vencedor da sondagem promovida pela ZDF em busca de uma espécie de símbolo nacional alemão. Na final realizada na noite de sexta-feira (28/11), o primeiro chanceler da República Federal da Alemanha (1949–1963) impôs-se aos demais nove finalistas: Johann Sebastian Bach, Otto von Bismarck, Willy Brandt, Albert Einstein, Johann Wolfgang von Goethe, Johannes Gutenberg, Martinho Lutero, Karl Marx, os irmãos Sophie e Hans Scholl (estudantes executados em 1943 por conclamarem à luta contra Hitler).

Durante quase quatro meses, a emissora de televisão repetiu a pergunta – "Quem é o melhor alemão?". E convocou a população a escolher livremente o nome que desejasse indicar, votando por telefone, carta, e-mail ou através do website. A lista inicial, ao final de dois meses, tinha um total de 1600 indicações. E no início do mês de novembro a ZDF divulgou então os cem nomes de maior destaque. O resultado provocou surpresa e até indignação.

Todas as gerações

Apesar de todas as críticas feitas à promoção da emissora, o certo é que ela mobilizou alemães de todas as gerações. A comprovação disto é o fato de que tanto Daniel Küblböck (16º lugar) como as "mulheres removedoras de escombros" do pós-guerra ( Trümmerfrauen – 88º lugar) constaram da lista dos cem mais votados.

Daniel Küblböck, de 18 anos de idade, foi um dos finalistas do concurso de calouros Deutschland sucht den Superstar (versão alemã do concurso que no Brasil teve o nome de "Fama"). Que ele tenha logrado ficar em 16º lugar na lista dos cem mais votados demonstra uma participação maciça dos adolescentes alemães. O inusitado sucesso do bizarro Küblböck na promoção da ZDF foi motivo de indignação para alguns e de zombaria para outros.

Por outro lado, o mérito das mulheres que ajudaram a remover os escombros da Segunda Guerra Mundial foi registrado obviamente através da participação da geração mais velha. As Trümmerfrauen foram heroínas reais da Alemanha do pós-guerra, mas praticamente já desapareceram da consciência das gerações mais novas.

Auto-imagem dos alemães

Apesar de todas as críticas e zombarias iniciais, a lista dos dez finalistas acabou redimindo a enquete popular e ganhando a aprovação da grande maioria. Para Armin Nassehi, professor de Sociologia de uma universidade de Munique, os escolhidos refletem de fato a auto-imagem dos alemães: "Os dez primeiros são representantes clássicos de uma forma de alta cultura, que caracteriza a nação alemã. E há uma personalidade para cada gosto nessa lista." Além do mais, os dez finalistas são conhecidos – e reconhecidos – em quase todo o mundo.

O grupo dos dez mais votados foi realmente muito eclético, mas também essa mistura é tipicamente alemã, na opinião de Armin Nassehi: "Se fosse feita uma lista como esta nos Estados Unidos, com certeza haveria um grande número de empresários do setor econômico." No caso da Alemanha, a escolha foi marcada em grande parte pelos parâmetros propagados através da tradicional educação escolar alemã.

O professor de Sociologia adverte porém que, mesmo que os nomes dos dez finalistas reflitam muita seriedade e dignidade, tudo não passa de um espetáculo da mídia: "Não é bem assim que esses sejam de fato os nossos cem melhores alemães, qualquer que seja o significado da expressão. Trata-se apenas de um grande espetáculo encenado pela mídia."

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