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Alemanha

A emancipação da política externa alemã

A política externa alemã cometeu erros após o 11 de setembro, mas se emancipou e amadureceu, é a opinião de Uta Thofern, da Deutsche Welle.

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"Nada mais será como antes" foi uma das frases mais ouvidas após o 11 de setembro, como expressão da perplexidade. No que diz respeito à política externa da Alemanha, ela corresponde à verdade.

Nos dois anos que se passaram desde os atentados terroristas, a Alemanha tornou-se soberana em suas decisões sobre a política externa. O país não apenas aprendeu a dizer SIM incondicionalmente, como também articulou, pela primeira vez, um claro NÃO. O chanceler federal Gerhard Schröder fez com que o apoio da Alemanha à intervenção militar no Afeganistão fosse aprovado sem restrições pelo Bundestag, o parlamento federal; impôs disciplina às bancadas parlamentares por meio de uma moção de confiança: os deputados precisaram concordar, para não colocar em risco a continuidade do governo. Mas foi igualmente irrestrita, um ano mais tarde, a recusa de Schröder a uma operação militar no Iraque, fosse qual fosse a justificativa.

Nova consciência política

Solidariedade irrestrita com os Estados Unidos por um lado, recusa total por outro — por mais paradoxo que pareça, uma coisa determina a outra. As duas decisões fundamentavam-se num processo de emancipação que é uma das constantes do governo Schröder. O social-democrata assumiu o cargo de chanceler federal com a meta declarada de fazer da Alemanha reunificada um "país normal". Um nova geração de políticos não maculados pelos crimes do nazismo assumia uma posição mais descontraída como representante dos interesses alemães. Isso implicava um novo papel internacional para a Alemanha, com todos os deveres, com todos os direitos.

Consolidação de dentro para fora

Primeiro foi preciso impor e consolidar esta nova consciência do próprio valor na política interna. Um processo penoso, principalmente para os partidos governistas, com sua tradição pacifista, encabeçados pelo chanceler federal e pelo ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer. O duo Schröder-Fischer tinha começado com a difícil decisão em favor da guerra no Kosovo e, ainda dois anos depois, o vaivém em torno da missão na Macedônia, em agosto de 2001, mostrou quão difícil era assumir a nova responsabilidade na política externa.

O 11 de setembro teve um efeito brutal de catalisador. O governo federal, vendo-se premido a agir com rapidez e de maneira convincente, não hesitou. O rigor com que Schröder obrigou as bancadas parlamentares a apoiarem a missão no Afeganistão concedeu-lhe definitivamente liberdade de ação na política externa. A Alemanha comprovou ser um parceiro confiável — e preencheu, assim, o requisito para se emancipar também em relação aos Estados Unidos.

Erros sim, sucesso também

A política externa alemã tornou-se adulta em ritmo acelerado, e não num processo metódico. As falhas estratégicas que se pôde observar devem-se a esta circunstância. Muitas das decisões — principalmente por parte do chanceler federal — foram tomadas por necessidade ou espontaneamente. A encenação da resistência à guerra no Iraque em forma de recusa total, durante a campanha eleitoral, foi um erro que impediu qualquer outra possibilidade de influência. O governo federal deveria ter feito uso mais inteligente de seu peso maior na política exterior. A crítica da Alemanha teria sido levada mais a sério e poderia ter tido conseqüências positivas, se não tivessem sido fechadas todas as portas da diplomacia.

Deve-se, afinal, sobretudo aos desdobramentos infelizes do pós-guerra e aos erros do governo norte-americano que as relações com os Estados Unidos não continuem perturbadas por mais tempo. Que o presidente Bush está convicto de que ainda precisa dos aliados alemães, é uma realidade já constatável.

Mas não se deve deixar de mencionar que essa conclusão de Bush não teria sido possível sem os serviços que os alemães prestaram anteriormente. A Alemanha demonstrou que é capaz de assumir responsabilidade internacional. A Alemanha vai participar também da reconstrução no Iraque — porque isto é de interesse alemão. Representar este interesse e pagar seu preço — esta é uma lição que a política externa alemã aprendeu.

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