A divisão da Palestina entre judeus e árabes | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 17.05.2018
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Coluna Zeitgeist

A divisão da Palestina entre judeus e árabes

Em 1947, Nações Unidas determinaram criação de dois Estados no território da Palestina. Mas, ao longo dos anos, apenas um se tornou realidade. Entenda como isso aconteceu.

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Imigrantes judeus chegam à região da Palestina histórica em 1947, antes da fundação de Israel

O conflito entre judeus e palestinos remonta à época dos romanos, mas a atual situação na região da Palestina começou a se criar no final do século 19, quando se deu uma reordenação territorial no Oriente Médio.

Na época, duas grandes potências europeias, a França e o Reino Unido, redesenharam o mapa geográfico da região dentro de seus próprios interesses, sem observar as divisões sociais e religiosas da sociedade árabe local. A região historicamente conhecida como Palestina passou para o controle britânico, com o nome Mandato Britânico da Palestina.

Em paralelo surgiram naquela época dois movimentos nacionalistas, um deles entre os árabes (nacionalismo árabe) e o outro entre os judeus (sionismo), e ambos defendiam a criação de Estados (um árabe, o outro judeu) na região da Palestina histórica.

A partir de meados da década de 1890, milhares de judeus vindos da Europa (onde então viviam cerca de 90% dos judeus do mundo) passaram a migrar para a região da Palestina, fugindo de crescente perseguições de caráter antissemita e influenciados pelo sionismo.

Os judeus haviam sido expulsos da Palestina séculos atrás, e a região era então habitada majoritariamente por árabes. Logo, os conflitos entre os árabes que viviam na região e os judeus recém-chegados da Europa se tornaram inevitáveis.

Os britânicos tentaram, mas não conseguiram controlar a violência. Para isso, chegaram a restringir a entrada de judeus, apesar da terrível situação criada pelo nazismo na Europa. Com o Holocausto, e a fuga em massa de judeus da Europa para a Palestina britânica, a situação no local se acirrou ainda mais.

Em novembro de 1947, logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial, as Nações Unidas decidiram criar dois Estados no território da Palestina histórica, um para os judeus (com 56% do território) e outro para os árabes (44% do território). Jerusalém teria um status especial.

Os judeus aceitaram o plano e, em maio de 1948, proclamaram a criação do Estado de Israel. Os árabes não concordaram com a divisão por verem nela um novo desdobramento de uma tentativa dos judeus de expulsá-los da região.

Como consequência, poucas horas depois da proclamação de Israel, quatro países árabes (Egito, Jordânia, Iraque e Síria) declararam guerra ao recém-criado Estado judeu. O conflito que se seguiu foi vencido pelos israelenses e resultou em mais de 700 mil refugiados palestinos. Esse êxodo é conhecido entre os palestino como Nakba, ou catástrofe.

Ao final da guerra, em 1949, o Estado de Israel possuía 77% do território que, dois anos atrás, havia sido dividido pela ONU. Não estavam sob controle de Israel a Cisjordânia e Jerusalém Oriental (controladas pela Jordânia) e a Faixa de Gaza (controlada pelo Egito).

O conflito, é claro, continuou, e ele teve um novo desdobramento importante em 1967, com a Guerra dos Seis Dias. Nela, Israel lutou contra Egito, Jordânia e Síria e assumiu o controle militar da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental, da Faixa de Gaza e de partes das Colinas do Golã, na condição de potência ocupante.

Depois disso, assentamentos judaicos foram criados nos territórios ocupados por Israel. Hoje cerca de meio milhão de israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia. Esses assentamentos são um dos principais impedimentos para que os dois lados cheguem à paz.

Em 2005, o então primeiro-ministro de Israel, Arien Sharon, retirou tantos os militares como os colonos israelenses da Faixa de Gaza.  Mas as Nações Unidas e diversas organizações internacionais continuam a considerar Israel como potência ocupante de Gaza, por causa do isolamento imposto à pequena faixa de terra litorânea.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que recebe no dia a dia.

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