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Cultura

A dignidade no rosto da pobreza

O jornalista Hans H. Klare, companheiro de Sebastião Salgado em algumas viagens, fala à DW-WORLD na abertura da exposição de 80 retratos de Salgado de pequenas vítimas de guerras e perseguições.

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Refugiado afegão

Mais de 40 milhões de pessoas no mundo fugiram de sua terra por causa de guerras civis, perseguição de cunho político, religioso ou étnico. Cerca de 20 milhões buscaram refúgio em países vizinhos ou longínquos, enquanto os demais são deslocados dentro do próprio país. A metade desse contingente é de crianças e jovens até 18 anos, expôs Stefan Berglund, o representante na Alemanha do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (UNHCR), na inauguração da exposição "Crianças Refugiadas" na Bundeskunsthalle, em Bonn. A entidade presta atendimento a um milhão de refugiados no mundo.

Olhos de quem muito viu

O que distingue os portraits infantis do fotógrafo brasilieiro mundialmente famoso por fotografias de trabalhadores e seu projeto Êxodo, "é a expressão no olho das crianças", frisou Editha Limbach, presidente da Fundação Alemã de Ajuda a Refugiados da ONU. Por mais que um fotógrafo altere seu objeto ao fotografá-lo, "Salgado conseguiu expressar a personalidade das crianças, sua alma. Os olhos dessas crianças são olhos de quem viu muita coisa, de quem sabe muita coisa para sua pouca idade", disse a ex-deputada. Mas nem por isso são apenas olhares tristes, muitos revelam como que um brilho de esperança.

Sebastião Salgado sempre se deparou com bandos de crianças, nas viagens que fez para documentar acontecimentos como o retorno dos moçambicanos, após 30 anos de guerra civil. Isso foi em 1994, ano em que Hans-Hermann Klare, editor internacional do semanário Stern, conheceu o fotógrafo mineiro. Em várias partes do mundo as crianças cercam as equipes de jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos, principalmente na África. "Eu acho que isso acontece mais nos países onde as pessoas têm a sensação de serem esquecidas por parte do governo ou dos que detêm o poder, sem falar no resto do mundo." É sempre uma grande agitação quando chega um forasteiro", disse Klare. O único jeito para conseguir trabalhar, foi prometer fotografar a garotada.

O segredo dos retratos de Salgado

Hans-Hermann Klare

O alemão Hans-Hermann Klare, companheiro de Salgado em alguams viagens pelos acampamentos de refugiados e palcos de guerras civis

O jornalista alemão disse admirar o jeito de Salgado lidar com as crianças, enquanto outros fotógrafos não sabiam como reagir à garotada que atrapalhava seu trabalho. "Mesmo sem falar a língua, ele consegue entrar em contato com os meninos, estabelecer uma relação. Ele ri, faz graça, pega um brinquedo, brinca com os meninos, faz de conta que fotografa [...] A relação que ele estabelece não precisa ser longa, uns minutos ou horas. E assim as pessoas adquirem confiança e isso torna possível fazer portraits como estes expostos em Bonn."

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