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Cultura

A destruição de Palmira como lição para humanidade

No ano passado, o "Estado Islâmico" explodiu a lendária cidade oásis, pondo abaixo construções milenares. Exposição em Colônia mostra a dimensão das perdas por meio de desenhos históricos.

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O que restou das avenidas ladeadas de colunas em Palmira?

A organização terrorista "Estado Islâmico" (EI) escolheu um lugar simbólico para uma execução em massa: no dia 27 de maio de 2015, matou 25 sírios uniformizados nas ruínas do antigo anfiteatro de Palmira.

Através de um vídeo divulgado na internet, a opinião pública mundial pôde acompanhar posteriormente a pérfida ação. Horst Bredekamp escreveu, no catálogo da exposição Palmyra – Was bleibt? (Palmira – O que resta?), no Museu Wallraf Richartz em Colônia, que a execução foi o início de uma iconoclastia "encenado como prelúdio da destruição de obras de arte".

Foram destruídos os templos de Bel e Baalshamin, erguidos há 2 mil anos, e um arco do triunfo construído por volta do ano 200. Usando imagens de satélite, as Nações Unidas confirmaram a explosão do Patrimônio Cultural da Humanidade Palmira. Em sua sede de vandalismo, os extremistas mataram também o arqueólogo Khaled al-Assad, que dedicou toda a sua vida à pesquisa da cidade histórica.

Já existem iniciativas lideradas pelo diretor da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano em Berlim, Helmut Parzinger, de reerguer um dia a antiga cidade síria.

Syrien Tempel Baal Shamin in Palmyra

Templo de Bel foi destruído pelos jihadistas islâmicos

"Fúria de vandalismo"

Uma lembrança da antiga cidade são os 40 desenhos do historiador da arquitetura francês Louis-François Cassas, que viajou para o Oriente entre 1784 e 1787 com vista a retratar a "rainha do deserto": coluna por coluna, templo por templo. Segundo o curador Thomas ketelsen, com essa homenagem ao passado glorioso da cidade oásis, o Museu Wallraf Richartz quer enviar um "forte sinal cultural" e expressar sua solidariedade.

Os desenhos arquitetônicos vêm do acervo do museu coloniano. Eles foram adquiridos já no início do século 20 e foram restaurados agora – com o apoio de uma fundação particular – especialmente para a exposição.

Jean-François Cassas não foi o primeiro a documentar as antigas edificações de Palmira. Mas ele foi o primeiro a abordar os levantamentos com uma meticulosidade analítica notável. Diferentemente de seus predecessores, ele não destacou excessivamente a estética das ruínas. Em vez disso, ele as pesquisou e as ordenou.

Cassas atuou como um "artista que vê através das lentes da arquitetura", afirma Ketelsen. Ele reconheceu a peculiaridade da coexistência de diferentes épocas culturais, a sua "amalgamação": não somente o legado helênico, mas também estilos romanos e islâmicos se encontram sobrepostos na cidade oásis com suas avenidas ladeadas de colunas, suas termas e detalhes ornamentais. Segundo o curador, foi justamente essa mescla pacífica de estilos que o EI destruiu em sua "fúria de vandalismo".

Ausstellung Palmyra - was bleibt im Wallraf-Richartz Museum in Köln

Templo de Bel desenhado por Cassas em 1785: completado com sua imaginação

"Arquitetura imaginada"

Em 1785, Cassas desenhou todos os monumentos históricos do local em somente 34 dias: primeiro, eles levantou as plantas baixas, para depois se dedicar aos detalhes. O mais notável: o historiador francês apreendia o mundo das ruínas e depois as completava com sua imaginação. Pois ele diferenciava entre o visto e o imaginado. Ele deixou clara essa diferença em seus desenhos por meio de uma marcação de cor.

Palmyra zerstörung baal-tempel satellitenaufnahmen UN 1.9.15

Imagens de satélite confirmam destruição de Palmira

Com esse método da "arquitetura imaginada", o historiador da arquitetura, cuja missão foi financiada pela embaixada francesa em Constantinopla, anunciou um ponto de virada na pesquisa arquitetônica.

Por trás de sua expedição, estava o projeto de uma publicação de gravuras sobre Palmira, o que ele conseguiu apenas parcialmente. No final, a edição continha somente 180 dos 330 trabalhos.

Já em vida, Cassas recebeu reconhecimento por sua obra: ninguém menos que Johann Wolfgang von Goethe, que visitou o francês em setembro de 1797 durante sua viagem à Itália, ficou fascinado e veio chamá-lo mais tarde de "meu professor". Goethe admirava Cassas por sua reconstrução precisa e rigorosamente estética da Antiguidade Tardia. O autor alemão admirava principalmente a fantasia com a qual Cassas catapultava os edifícios de volta à sua condição original.

Hoje, são esses desenhos cheios de amor ao detalhe os últimos testemunhos do rico passado de Palmira.

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