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Mundo

A dúvida persiste

Afinal, o Iraque possui ou não armas de destruição em massa? Relatório entregue à ONU deixa EUA em posição incômoda e confirma posição dos adversários da guerra do Iraque.

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Hans Blix, chefe dos inspetores de armas da ONU

Não existem provas concretas da existência de armas de destruição em massa em solo iraquiano. Esta foi a principal conclusão apresentada pelo presidente da Comissão das Nações Unidas para a Inspeção, Vigilância e Verificação do Desarmamento no Iraque (UNMOVIC), o sueco Hans Blix, em seu último relatório trimestral sobre o trabalhos dos inspetores da ONU na região.

O documento engloba o período de março a fins de maio, quando as atividades foram interrompidas devido ao início dos ataques militares anglo-americanos no Iraque.

O chefe dos inspetores acentuou que, apesar de os iraquianos terem sido mais cooperativos no fim do período de inspeções, não houve um avanço significativo no sentido de se descobrir o paradeiro de várias armas ilegais que o Iraque garantia ter destruído. Por isso, Blix, que se aposenta no final de junho, voltou a exigir o retorno dos inspetores da ONU ao país para que a situação envolvendo o arsenal bélico iraquiano seja esclarecida.

Nas atuais condições em que o Iraque se encontra, após a derrubada do ditador Saddam Hussein, "deve ser possível descobrir a verdade que todos nós ansiamos em conhecer", frisou Blix durante a entrega do relatório.

Será?

O alemão Bernd Birkicht, um dos inspetores da ONU, revelou que duvida muito da existência de armas de destruição em massa no Iraque. "Se for encontrado algo agora no Iraque, então sou de opinião que se tratam de coisas que não estavam lá antes", declarou Birkicht, levantando a suspeita de que os EUA, acuados pela pressão nacional e internacional poderiam fazer surgir armas apenas para justificar a guerra.

Ele também defende o prosseguimento do trabalho dos inspetores, até agora não confirmado pelo Conselho de Segurança da ONU, cuja decisão foi adiada sem prazo determinado após a suspensão das sanções contra o Iraque, no dia 22 de maio.

Tudo pelo petróleo

Blix, porém, não é tão categórico quanto seu colega alemão. O fato de as armas não terem sido encontradas "não significa que elas não possam existir". Já a ministra alemã do Desenvolvimento e Cooperação Econômica, Heidemarie Wieczorek-Zeul, parece não ter dúvidas.

Em recente entrevista, ela acusou os países que fizeram parte da aliança militar contra o Iraque de terem "enganado o mundo". Categórica, acrescentou ainda que "o interesse estava no petróleo, não nas armas de destruição em massa".

O silêncio

De acordo com fontes diplomáticas, os EUA são o único dos 15 países membros do Conselho de Segurança que se opõe ao retorno dos inspetores da ONU ao Iraque. Nem mesmo a Grã-Bretanha, principal aliada dos americanos e a Espanha, que também apoiou abertamente a guerra, fazem frente contra a retomada da missão dos inspetores. Ambos países estão sendo acusados de endossarem uma guerra sem motivo legítimo.

A Alemanha defende a continuidade dos trabalhos investigativos embora o governo tenha assumido uma posição bem mais comedida na questão do Iraque para coibir novas crises nas relações teuto-americanas.

O chanceler federal alemão Gerhard Schröder evita falar sobre o assunto: "Mesmo com a melhor das intenções não posso afirmar se existem ou não armas de destruição em massa no Iraque, pois não disponho de tais informações."

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