A cuidadora de idosos Susann Porter, de Leipzig | Entenda a Alemanha, sua diversidade, estrutura e história | DW | 13.08.2010
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Entenda a Alemanha

A cuidadora de idosos Susann Porter, de Leipzig

Susann Porter não é apenas cuidadora de idosos, mas também cantora da banda Love is Colder than Death. A vida desta alemã de 45 anos foi marcada pelos acontecimentos que levaram à queda do Muro de Berlim.

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A cuidadora de idosos Susann Porter, de 45 anos, está sentada na cozinha de sua casa em Leipzig enquanto relembra os tempos em que ainda se chamava Susann Heinrich. Naquela época, Leipzig fazia parte da extinta Alemanha Oriental e Susann repentinamente foi chamada para cantar numa banda.

O seu então namorado Mike era músico e queria gravar um CD. O problema: o cantor da banda havia solicitado uma permissão para viajar para a Alemanha Ocidental, e a permissão havia sido concedida pouco antes do início das gravações.

Sem cantor, Mike perguntou à namorada se ela não poderia assumir os vocais: "Susann, você também sabe cantar!". E assim Susann iniciou sua carreira. "Eles me diziam: 'Você é a nossa voz'", relembra a enfermeira, enquanto prepara o jantar para a filha. É o final de um longo dia de trabalho no asilo.

Alemanha Oriental: sentimentos difusos

Em 1989, enquanto as pessoas na Alemanha Oriental saíam às ruas para pedir liberdade, a banda de Susann preparava o primeiro show. O pai de Susann era um oficial do Volksarmee, o Exército do Povo da Alemanha Oriental.

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Susann relembra as demonstrações em Leipzig no dia 9 de Novembro de 1989 – data da queda do Muro de Berlim – com sentimentos difusos. "Eu me preocupava com o meu pai porque ele estava em serviço. Tinha medo de que ele tivesse que agir contra os manifestantes", conta.

"Eu vivia num mundo completamente diferente. Tinha medo de ficar cara a cara com ele caso eu também fosse protestar." Na época, Susann acompanhou o desmanche da Alemanha Oriental com olhos críticos: para ela, foi antes de tudo uma venda para o "irmão rico do oeste".

É com amargura que ela observa: "Muitos dos que participaram dos protestos estão hoje desempregados. Hoje eles são livres para viajar, mas não podem porque não têm dinheiro."

Vinte anos se passaram desde então. E Susann reconhece que muitas coisas estavam erradas na Alemanha Oriental. "Não era correto o que acontecia por lá. Não tinha como dar certo", afirma. Mesmo lamentando a perda do que classifica como um sistema social mais seguro, Susann não deseja "de jeito nenhum" o retorno da Alemanha Oriental.

A reunificação alemã também trouxe muitas mudanças boas. Foi ela que permitiu, por exemplo, o encontro de Susann com seu marido, também músico. "Ele é inglês e jamais poderia ter tocado na Alemanha Oriental."

LICTD e Emily

O marido de Susann entrou para a banda Love is Colder Than Death, ou LICTD, e Susann Heinrich passou a ser Susann Porter. LICTD é uma banda que funde de forma única elementos folclóricos com uma sonoridade new age e sintetizadores. E obteve sucesso internacional.

O álbum Eclipse, de 2003, chegou ao segundo lugar na parada new age do México, e Susann já participou até de um turnê pelo país.

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Susann com a filha Emily

Mas, em 1996, a música passou para segundo plano na vida de Susann. Foi quando nasceu Emily. "Quando nos tornamos mãe, e toda mulher sabe disso, aprendemos a ter outras prioridades. Eu não tinha mais tempo para a música, eu tinha de pensar na minha filha."

Nos últimos sete anos, Susann cuidou sozinha da educação da filha. Apesar do pouco tempo disponível, a música nunca saiu da vida dela. "Eu não consigo aguentar muito tempo sem música", diz, sorrindo.

Susann prepara um novo CD com a banda, mas mantém os pés no chão. "Jamais poderei ganhar o meu pão assim", afirma.

Por isso ela está fazendo um curso profissionalizante para ser cuidadora de idosos. O trabalho é duro e começa às 6h, mas tem também aspectos positivos, como as reações de agradecimento dos idosos. Susann dá muito valor a isso e diz que as pessoas têm o direito de viver a última fase de sua vida com dignidade.

Autora: Mirra Banchon-Ramirez (as)
Revisão: Bettina Riffel

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