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Economia

A bolsa, jamais!

Muita empresa média alemã cresceu tanto, que bem poderia conseguir mais capital lançando ações na bolsa. No entanto, a maioria não quer saber disso. Uma empresa média alemã tem até 2000 funcionários.

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Bolsa de Frankfurt: empresas familiares não acham bom negócio lançar ações

"Nem sequer cogitamos em lançar ações", diz Günter Wulf, sócio e diretor-executivo da firma Ketten Wulf. Pouco conhecida fora da região em que se situa, no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, essa empresa média é, contudo, a líder européia de esteiras de transporte. A firma que o avô de Günter Wulf fundou em 1925 cresceu e conquistou uma boa posição no mercado. Mas nem por isso a atual diretoria pretende transformá-la numa sociedade anônima.

"A empresa está em mãos da família. Fundamos uma sociedade civil, pela qual eu dei participação aos meus filhos, de modo que já estou deixando alguns setores a seu cargo. Com 54 anos, tenho que ir pensando na minha substituição à frente da empresa", diz Wulf.

O valor da tradição, em vez da bolsa de valores

A Ketten Wulf é um bom exemplo de empresa média familiar com tradição. O que todas têm em comum é querer distância da bolsa. Não porque acabou o boom das ações na Alemanha e o índice da bolsa de Frankfurt, o DAX, perdeu mais quase 50% em 2002. Uma S.A. colocaria em risco o sucesso empresarial, segundo Wulf. "Eu posso tomar decisões sozinho, sem ter que consultar ninguém, mas também arco com a responsabilidade sozinho. Você perde em agilidade, se tiver que convocar todos os grêmios de uma S.A., por exemplo, para decidir sobre investimentos. Até eles se reunirem, o tempo passou", expõe.

Outras empresas familiares vêem a questão da mesma forma, como a Hipp, fabricante de potinhos e alimentos para bebês. A firma emprega 900 funcionários e fatura 250 milhões de euros por ano. Desde sua fundação, em 1932, manteve o princípio de que somente membros da família podem participar da sociedade.

O exemplo da Melitta

No começo do século passado, a dona-de-casa Melitta Bentz inventou o filtro de papel para o café. Hoje, o grupo Melitta tem 50 firmas, com um faturamento anual de 1,4 bilhão de euros. Produz e comercializa café, máquinas de fazer café, filme plástico para conservar e congelar alimentos, sacos de lixo, etc. Os atuais gerentes são os três netos de Melitta Bentz.

Há mais uma razão para que essas firmas não sejam cotadas nas bolsas: seus chefes podem tomar decisões de longo prazo, sem ter que pensar nos efeitos sobre a cotação das ações e nos acionistas. Muitos acionistas, por sua vez, só querem ganhar dinheiro rapidamente na bolsa.

Empresas como a Ketten Wulf teriam problemas com isso, por investir muito dinheiro em pesquisa e desenvolvimento de novos materiais e produtos. Essa é a forma de se impor frente à concorrência, mas tais investimentos só são rentáveis a longo prazo. "Aplicamos por ano de 2% a 3% do faturamento em pesquisa. Precisamos fazê-lo, pois o mercado exige isso", diz seu diretor.

Porsche

E também há o exemplo da Porsche, na opinião de especialistas o fabricante de automóveis mais rentável do mundo. É certo que a Porsche é uma sociedade anônima, com ações cotadas nas bolsas. Mas seu presidente, Wendelin Wiedeking, já enfrentou várias vezes a Deutsche Börse, a operadora da Bolsa de Frankfurt. Empresas que querem ter suas cotações consideradas nos índices DAX ou MDAX têm que se submeter a uma série de condições. Uma delas é a apresentação de um balancete trimestral. Isso é para proteger os acionistas - afirma a operadora da bolsa. Mas representa trabalho adicional, que custa muito dinheiro, diz o chefe da Porsche, Wiedeking. E, quando os dados do balancete não são bons, afetam até a motivação dos funcionários.

Wiedeking decidiu não cumprir as exigências da bolsa e as ações da Porsche imediatamente foram retiradas do MDAX. Só que isso não prejudicou nem um pouco a empresa, como também não levou a uma desvalorização da sua ação. A montadora com sede em Stuttgart avança rumo ao sétimo ano consecutivo de recordes de lucro e produção.

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