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Copa do Mundo

A bola como metáfora da infância

Artista carioca Elenice Nogueira expõe na Alemanha uma série de quadros sobre o tema futebol. Obras em acrílico sobre lona remetem à experiência de crescer no Rio de Janeiro.

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Elenice: cenas retratadas em emaranhado de traços

Sete anos após ser "descoberta" no circuito internacional, Elenice Nogueira continua a fazer carreira no exterior. Ainda adolescente, ela conquistou a simpatia e a admiração da ex-primeira dama norte-americana Hilary Clinton, que comprou uma de suas obras e também a convidou para o chá das cinco na Casa Branca. Agora, a artista está na Alemanha, onde mostra trabalhos sobre o tema futebol, "esquentando os tamborins" para a Copa do Mundo 2006.

Depois de expor em Lahr (no Estado de Baden-Württemberg), em setembro, ela abriu na última quinta-feira (06/10), em Königswinter (Renânia do Norte-Vestália), uma mostra com 22 quadros em acrílico sobre lona tendo o futebol como tema.

Embora tenha se decidido a retratar o esporte – ainda mais pela atualidade do tema, já que o próximo campeonato mundial será na Alemanha –, ela afirma que não se prendeu a ele: "Quando estou pintando, surgem outras idéias e eu respeito meu processo de criação".

Infância de antigamente

Brasilianische Künstlerin Elenice Nogueira

Peça da artista: dilema da escalação

A bola, no trabaho de Elenice, vira metáfora para falar de infância e mais especificamente da experiência de ser criança no Rio de Janeiro. No emaranhado de traços e cores que caracteriza o trabalho da artista, aparecem brincadeiras que remetem à infância low tech de antigamente: entre as pinceladas em acrílico, aparecem pipas, carrinhos de rolimã, campinhos de pelada e corridas de bicicleta. Como pano de fundo, essas cenas têm as favelas e as praias da cidade natal da pintora, o Rio de Janeiro.

Elenice, que começou a pintar profissionalmente ainda pré-adolecente, quando ia às feiras de arte e artesanato cariocas trocar suas obras por outros produtos – roupas, acessórios ou o que lhe desse vontade de "comprar" –, diz que seu trabalho evoluiu com o tempo: o traço ficou mais seguro e a apresentação do tema menos direta.

"Meu traço ficou mais complicado. É mais difícil identificar a cena", explica a artista. "O bom é que a gama de interpretações dos quadros agora é maior. Às vezes, as pessoas vêem coisas que eu nem pensei quando estava pintando. Às vezes, vêem até o que não está lá."

A arte e o comércio

A artista afirma que gosta de ver seu trabalho reconhecido internacionalmente, mas diz que expor na Europa não é necessariamente mais lucrativo do que no Brasil. "Se os brasileiros pagam 600 reais por uma peça, os europeus vão pagar o equivalente em euros. Acabo ganhando a mesma coisa", explica ela, lembrando que, se pudesse, mostraria seus quadros de graça. "O problema é que preciso do dinheiro das vendas para sobreviver. Vivo de arte."

Brasilianische Künstlerin Elenice Nogueira

Jogador de futebol: o Rio de Janeiro como cenário

Entretanto, Elenice tem figuras ilustres entre seus clientes. Ela considera James Wolfenson, ex-presidente do Banco Mundial, seu "padrinho". A artista ficou conhecida após participar de uma exposição na sede do banco, em Nova York, no fim dos anos 90. Lá, foi descoberta por Hilary Clinton e, posteriormente, pela rainha Sílvia, da Suécia, que também comprou algumas de suas obras. Hoje, ela tem clientes cativos em toda a Europa e também nos Estados Unidos. "As portas foram se abrindo", diz, sem qualquer sinal de afetação.

Entre uma exposição e outra, Elenice tenta se atualizar. É ao mesmo tempo aluna e monitora na Escola de Artes do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Nas viagens ao exterior, ela aproveita para estudar, firmar o traço e o olhar de artista. A pintora, que deixa a Alemanha em meados de outubro, fará uma temporada de um mês em Portugal, onde estudará na Escola de Belas-Artes de Lisboa.

"Tenho que me atualizar sempre, pois tenho muito o que aprender", diz Elenice. "Em cada lugar que passo, tento levar comigo coisas que possa acrescentar ao meu trabalho."

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