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Cultura

A beleza involuntária dos resquícios industriais

Em um trabalho que revela o "subconsciente da história urbana", os fotógrafos Bernd e Hilla Becher transformam paisagens abandonadas e decadentes em deleites estéticos repetidos em série.

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Registros da era industrial sob as lentes de Bernd e Hilla Becher

Trata-se, segundo os próprios artistas, de “esculturas anônimas”. São minas de carvão, fornos, reservatórios de água, gasômetros ou tubos de refinarias. Os objetos são escolhidos pela “ausência de propósitos estéticos. O assunto nos atrai pelo fato de que essas construções, que em princípio estão destinadas a desempenhar uma mesma função, apareçam em uma diversidade enorme de formas”, esclarecem Bernd e Hilla Becher.

Ausência de “ruídos visuais” - Há mais de 40 anos registrando com suas câmeras os restos deixados pela era industrial, o casal de artistas exclui de suas fotografias o rastro humano, banindo de suas reproduções quaisquer “ruídos visuais”, sejam estes pessoas, sombras ou distorções de perspectiva.

O objeto – um reservatório de água, por exemplo – é completamente isolado de seu meio e fotografado em preto e branco. A luz sempre difusa, típica do outono europeu, põe “em cena” objetos autônomos, como torres de mineradoras ou fornos de fábricas.

Precisão objetiva - Na contracorrente da fotografia abstrata dominante a partir dos anos 60, Bernd e Hilla Becher optam pela precisão, em uma linguagem fotográfica objetiva, concentrada em poucos grupos de objetos. A verve documental do trabalho registra com freqüência uma ameaça de destruição, desmoronamento ou abandono dos objetos.

O que chama a atenção é o fato de os complexos industriais retratados pelos artistas surgirem como elementos fixos, dando a impressão de que foram ali ancorados, postos no chão, distantes de qualquer glamour de um projeto arquitetônico.

Fotografie Bernd und Hilla Becher Wassertürme Pittsburg

Torre de Água em Pittsburg, EUA

Tipologias - Ordenadas em sistemas, que os artistas chamam de “tipologias” - e que revelam talvez o “germanismo” da linha de trabalho - as fotografias de Bernd e Hilla Becher são expostas em série, formadas por fotografias com o mesmo formato em blocos de 9 a 15 reproduções.

Estes são criados a partir de critérios funcionais, regionais, históricos, estéticos ou mesmo geográficos ( As Minas de Carvão do Ruhrgebiet ou as Torres de Água de Chateaux d’Eau), revelando a diversidade através da repetição em um processo que lembra a atividade de um colecionador enciclopédico.

Cinqüenta destas tipologias estão até o próximo 12 de abril de 2004 expostas no Museu K21 em Düsseldorf, cidade onde Bernd e Hilla Becher trabalham como professores da Academia de Artes, tendo formado um grupo de fotógrafos, que no circuito de artes alemão chega a ser chamado de Escola Becher.

Formalismo - Se o caráter documental do trabalho dos artistas pode ser atribuído ao registro do abandono a que vão sendo fadadas antigas fábricas na era pós-industrial, o formalismo e a “neutralidade” das fotos em preto e branco remetem à Nova Objetividade ( Neue Sachlichkeit) dos anos 20, lembrando o trabalho de nomes como Albert Renger-Patzsch ou August Sander.

Ao mesmo tempo, a precisão técnica ao expor detalhes vai buscar na minimal art suas raízes, expondo ao observador o que um jornal alemão chamou já nos anos 60 de “beleza involuntária dos complexos industriais”.

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