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Brasil

A baixa histórica dos juros no Brasil

Banco Central anuncia corte da taxa básica de juros dos atuais 7,5% para 7% ao ano, o menor patamar desde 1986. Veja os prós e contras de uma Selic mais baixa para consumidores, empresas e governo.

Banco Central

Selic é um dos principais instrumentos do Banco Central para controlar a inflação

O Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (06/12) que decidiu cortar a taxa básica de juros, a Selic, dos atuais 7,5% para 7% ao ano. Trata-se da décima redução consecutiva do índice, que atinge seu menor patamar desde 1986, quando começou a série histórica da entidade financeira.

A Selic é uma referência para as demais taxas de juros da economia e um dos principais instrumentos do Banco Central para controlar a inflação. Se a inflação está alta, o BC pode aumentar os juros, fazendo com que o custo do crédito aumente no país e esfrie o consumo. Se a demanda é menor, os preços caem.

Mas, se a Selic cai, o efeito é o contrário: o consumo é estimulado e a inflação pode ser pressionada. Para decidir a taxa, o Comitê de Política Monetária (Copom), composto por membros da diretoria do BC, se reúne oito vezes por ano para avaliar a situação econômica do país e definir qual é a melhor taxa.

Prós de uma Selic mais baixa

A Selic é usada como parâmetro para taxas de juros d e cartões de crédito, cheque especial, crediário e poupança. Os bancos calculam com base na Selic quanto de juros irão cobrar para conceder um empréstimo. Se a taxa básica for baixa, o consumidor terá mais facilidade para fazer um empréstimo, assim como para comprar a prazo.

Isso acontece porque uma menor Selic faz com que exista uma queda nas taxas de captação das instituições financeiras, que, assim, podem cobrar menos pelos seus empréstimos. Mas a taxa Selic não é exatamente a que será cobrado do consumidor.

Há outras variáveis na determinação das taxas de empréstimo dos bancos, como inadimplência, margem de lucro, impostos sobre operações financeiras e outras. A diferença entre a taxa que o banco paga ao tomar empréstimos e a cobrada ao conceder um é chamada de spread bancário.

Com a redução da Selic, o consumidor pode tentar trocar dívidas mais caras – incluindo as contraídas no cheque especial e cartão de crédito – por dívidas mais baratas, principalmente se tratando de empréstimos pessoais e crédito consignado. Esse movimento por parte do consumidor também é facilitado pela concorrência entre bancos em momentos em que o BC pressiona por uma redução dos juros.

Para as empresas, o crédito mais barato significa custos mais baixos para investir no setor produtivo, gerando empregos e renda. Além disso, com juros menores, as despesas financeiras da atividade produtiva tendem a ser mais baixas, estimulando também mais investimentos produtivos. A queda da Selic tende a incentivar a retomada da economia e, no curto e médio prazo, contribui para a redução do desemprego.

O governo obtém também algumas vantagens com a queda da taxa de juros, já que ela reduz os custos do financiamento do déficit público e do refinanciamento da dívida pública, ajudando no processo de reequilíbrio das contas do governo.

Contras de uma Selic mais baixa

A queda de juros representa um grande estímulo às compras, fazendo com que as famílias comprometam cada vez mais sua renda com dívidas. Com a inadimplência, as instituições financeiras têm dificuldade de repassar o corte da Selic para as pessoas físicas, o que acaba prejudicando os consumidores em geral.

A taxa básica de juros impacta investimentos como poupança e alguns fundos de previdência privada. A queda da Selic derruba o rendimento da poupança, fazendo com que ela perca sua atratividade como investimento de renda fixa seguro. Assim, a Bolsa de Valores, por exemplo, volta a ser uma boa alternativa de longo prazo para os investidores que buscam uma maior rentabilidade.

A perda de atratividade de investimentos de renda fixa influencia a captação de recursos pelo governo e financiamento de sua dívida, já que títulos públicos negociados no mercado financeiro têm sua rentabilidade atrelada à variação da Selic. Além da dívida pública, a captação feita através de títulos públicos tem o objetivo de financiar atividades como educação, saúde e infraestrutura.

FC/abr/ots

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