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Cultura

A arte vai a Heiligendamm

Mostra de artes plásticas paralela ao encontro do G8 aborda interseção entre arte e política.

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Instalação de Silver Pearl parodia hotel onde se hospedam políticos do G8

Em entrevistas à mídia alemã, a curadora Adrienne Goehler, ex-Secretária de Cultura de Berlim, diz que o ponto de partida para a exposição Art goes Heiligendamm foi o propósito de refletir sobre a interseção entre a arte e movimentos sociais. Para isso, foram convidados a expor num antigo estaleiro de Rostock – cidade próxima a Heiligendamm – mais de cem artistas, vindos de 21 países diferentes e que participam de 48 projetos distintos.

De volta ao local de origem

"O interessante é que a arte, há muitos anos, já começou a tratar de grandes temas como a globalização. Considero um desafio interessante trazer esses temas do contexto artístico de volta para o local onde os movimentos sociais acontecem", diz Goehler. A localização exata, no entanto – um estaleiro afastado da cidade e longe de qualquer tumulto real – cria para a mostra um universo paralelo ao do G8 e seus manifestantes.

Entre várias obras de cunho documental, há na exposição também espaço para ironia, como na instalação criada pelo escritório de arquitetura raumlabor, de Berlim, que parodia um hotel cinco estrelas, como aquele onde estão hospedados os políticos participantes do G8.

Ou no container instalado pelo artista dinamarquês Thorbjörn Christiansen na frente de uma igreja central de Rostock: um espaço que contém as medidas exatas (4,5 metros quadrados) previstas pela legislação alemã para as moradias de requerentes de asilo político no país.

Desde dezembro do último ano, a curadora Goehler tentou arrecadar recursos que viabilizassem a exposição. Embora os pedidos viessem de uma ex-Secretária de Cultura de Berlim, as dificuldades na arrecadação de verbas foram enormes, afirma Goehler. A curadora conseguiu, de última hora, recursos da iniciativa privada.

Palestras e filmes

Art goes Heiligendamm, Kunstwerk von Osama Dawod

Obra do egípcio Osama Dawod em Rostock

Na Heiligendamm das artes, ao contrário da dos políticos, há debates abertos à população, palestras, mesas-redondas e mostra de filmes, numa tentativa de fazer da arte um espaço de ressonância para assuntos que acabam se perdendo na forma como a mídia trata do encontro do G8.

"Há vários trabalhos voltados para a compreensão do que aqui é pensado ou temido. Há artistas que vão ao centro da cidade com suas performances. Estamos fazendo várias coisas para o rádio e para a TV. As imagens que exibimos depois à noite são muito distintas das veiculadas pela mídia nesses dias", observa Goehler.

A população de Rostock, conta a curadora, manteve de início um certo ceticismo em relação à presença dos artistas na cidade, mas começou gradualmente a interagir com a mostra. "Pois aqui eles podem se debater, de fato, com questões contemporâneas. E porque aqui tudo é tão agradável. Música, pessoas simpáticas e um cozinheiro punk, que serve comida vegetariana", proclama a curadora. Para tirar o bom humor, faltaria talvez somente a reflexão acerca daquilo que a exposição pouco tematiza: a impotência dos que estão do lado de fora da cerca frente à arbitrariedade dos políticos de plantão. (sv)

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