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Cultura

A anatomia da migração

Projeto interdisciplinar une artes plásticas, cinema e pesquisa acadêmica para reconstituir a trajetória dos migrantes na Alemanha a partir do pós-guerra.

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Viagem pela Iugoslávia, agosto de 1972

A idéia fundamental é eliminar a conotação negativa que a palavra "migrante" carrega, abolindo a associação quase automática do vocábulo a conceitos como periferia e margem. "Deixando de lado as referências problemáticas que a palavra costuma despertar", anuncia o prefácio do catálogo de 900 páginas que acompanha o Projeto Migração. Um catálogo escrito em vários idiomas, que vão do grego ao italiano, passando pelo árabe e coreano, até o português e vietnamita.

O Projeto Migração, desenvolvido pelo Kunstverein de Colônia, pelo Centro de Documentação DOMiT e por duas instituições acadêmicas – o Instituto de Antropologia Cultural e Etnologia Européia da Universidade de Frankfurt e o Instituto de Teoria da Forma e da Arte da Escola Superior de Artes de Zurique – cria pontos de interseção entre as discussões acadêmicas sobre a migração e a produção de arte e mídia. Dando início a uma discussão movida por palavras-chave como cruzamento de fronteiras, identificação étnica e visão do Outro.

Em defesa de sociedades pós-nacionais

Projekt Migration

Rosemarie Trockel: 'Sem Título' (1986)

Ao colocar os migrantes no centro das mostras que integram o projeto, os curadores – entre eles vários estrangeiros ou descendentes destes – procuram chamar a atenção da opinião pública para novas formas de enxergar a sociedade alemã.

Formas que fogem da dicotomia "maioria versus minorias", que questionam a validade de conceitos como "identidade européia" e que sugerem a predominância de um olhar cosmopolita e de uma cidadania pós-nacional.

"O modelo de Estados nacionais é também o de uma Fortaleza Europa, logo, não é o formato de futuro", observam os curadores, que não deixam passar despercebida a estreita relação entre processos migratórios e a política de segurança dos Estados europeus.

No caso da Alemanha, o projeto analisa dois momentos-chave na história do pós-guerra: a onda migratória de "trabalhadores convidados" (g astarbeiter) durante o boom econômico dos anos anos 50 e 60 e o fluxo de imigrantes do Leste Europeu após a queda do Muro de Berlim.

Imigrantes de ontem e de hoje

Projekt Migration

'Turcos na Alemanha' (1976), fotografia de Candida Höfer

As várias faces do projeto recapitulam em debates, muitas vezes dolorosos, a história de imigrantes espanhóis, italianos, portugueses e gregos na Alemanha – imigrantes provenientes de países que hoje, membros da União Européia, fecham suas portas frente a refugiados, que acabam se afogando diariamente nas águas do Mediterrâneo.

Como se pode observar em Mourir aux portes de l`Europe (Morrer às portas da Europa), que expõe a estatística de quantos refugiados morrem afogados ou sufocados nas carrocerias de caminhões, ao tentarem entrar ilegalmente na União Européia.

Alemanha Oriental: história esquecida

Ao lado de fotografias, instalações ou vídeos de 80 artistas, entre eles Rosemarie Trockel, Candida Höfer e Marcel Odenbach, há nas mostras que compõem o projeto exemplares de contratos de trabalho, descrições da política de recrutamento de trabalhadores na Itália ou em Portugal na década de 50, fotos dos migrantes ao deixarem seus países de origem e descrições de cenas de despedida.

Além de discutir a migração interna na Europa, o projeto volta os olhos para marroquinos, tunisianos e para aqueles que viveram na ex-Alemanha Oriental. Durante o regime comunista, viveram no país angolanos, moçambicanos (15 mil em 1989, após a queda do Muro de Berlim) e vietnamitas (59 mil), cujas condições de vida estavam longe de ser ideais.

A trajetória desses imigrantes na República Democrática Alemã (RDA) é, diga-se, um capítulo da história muito pouco conhecido mesmo dentro do país reunificado.

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