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Mundo

A Alemanha e seus judeus hoje

A comunidade judaica refloresce no país que há 60 anos tentou exterminá-la. Não sem rupturas: os judeus do Leste Europeu modificam o perfil das comunidades. E os jovens se perguntam se seu lugar não seria em Israel.

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Abertura de uma nova sinagoga em Wuppertal

Um grupo literalmente “deslocado” formou o cerne da comunidade representada pelo Conselho Central dos Judeus na Alemanha, após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Seus 25 mil membros eram “ displaced persons”, no jargão da administração militar norte-americana: prisioneiros dos campos de concentração nazistas, oriundos sobretudo do Leste Europeu.

Sua permanência na Alemanha não era fruto de uma decisão consciente. Muitos foram ficando por falta de energia, consumidos em seu interior pelos sofrimentos passados, ou simplesmente paralisados pela recente constatação de que nenhum familiar sobrevivera ao genocídio, e de que não havia nenhum lugar no mundo que pudessem chamar de lar.

Mais afortunados os que conseguiram manter uma motivação de vida: impedir que se cumprisse o intento de Adolf Hitler de livrar totalmente a Alemanha dos judeus.

Adeus à Alemanha?

No início da década de 70, a primeira geração israelita nascida na Alemanha desde a tentativa de extermínio alcançava a idade adulta. Sobretudo nas três grandes comunidades – Berlim, Frankfurt e Munique – os filhos judeus do milagre econômico fizeram ouvir sua voz cada vez mais alto. Uma voz que em muitos aspectos se distinguia da dos sobreviventes do holocausto. O advogado berlinense Benno Bleiberg, de 49 anos, especifica:

“O vínculo com a tradição, à maneira das gerações anteriores, não existe mais. Continuamos convictos de que o caminho conservador, ortodoxo, seja o correto para o judaísmo. Porém ele não é mais praticado no dia-a-dia, desde o respeito às leis do sabbat à conduta de vida.”

A exemplo de seus pais, de tempos em tempos eles questionam a Alemanha como sede de suas existências. Uma dúvida que se intensifica cada vez que o debate sobre a xenofobia e o anti-semitismo retorna regularmente à mídia, motivado por acontecimentos atuais. A estudante Hanna, 23 anos, de Berlim, revela que, como diversos amigos seus, notou que não mais tem lugar nessa Alemanha.

Este sentimento tem a ver com a atitude anti-sionista e anti-semita que vem repetidamente à tona, após a guerra dos EUA contra o Iraque. Hanna está de viagem marcada para Israel, onde ficará de início três anos. E depois desse período, apesar de seu amor por Berlim, há lugares onde diz se sentir melhor do que na Alemanha.

Em direção à reconciliação veio a iniciativa do grego católico Emile Shufani, residente em Nazaré. Em junho de 2003, ele reuniu algumas centenas de árabes e judeus de Israel, no antigo campo de extermínio de Auschwitz, à vista do crematório e do muro de execuções. A abaladora viagem teve como fim alcançar um conhecimento mais profundo sobre o sofrimentos dos judeus e sua influência sobre os israelenses de hoje, que devido à vivência do holocausto vivem em permanente temor dos “outros”.

Resgatando o judaísmo

Desde a reunificação, em 1990, a comunidade judaica da Alemanha, contando na época 30 mil membros, foi acrescida de 400 judeus da extinta República Democrática (RDA). Seguiram-se milhares vindos da antiga União Soviética, onde, no início da década de 90, uma entre numerosas ondas de anti-semitismo alcançara o clímax. Atualmente vivem 140 mil judeus na Alemanha, o que torna a comunidade uma das maiores do continente.

A identidade dos novos imigrantes – há três gerações afastados de qualquer prática do judaísmo – assemelha-se a uma folha em branco, do ponto de vista israelita: ela praticamente se reduz a uma etiqueta e à definição negativa, assimilada através do anti-semitismo alheio. Para eles, a consciência religiosa permanece em segundo plano, esperando ser resgatada pelas escolas de Talmude e Torá, instituídas pelas comunidades e cada vez mais numerosas na Alemanha de hoje.

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