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Alemanha

A agonia social-democrata

A mídia alemã não fala de outra coisa: a renúncia de Matthias Platzeck à presidência do Partido Social Democrata alemão faz parte de uma crise que perdura desde 1991.

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Após Schröder, o dilúvio continua no SPD

Com a renúncia de Matthias Platzeck, a saída inesperada de um presidente do SPD não é mais novidade para um partido que, desde 1991, não tem mais paz em casa. Com o sucessor de Platzeck, o SPD terá seu quinto presidente em sete anos, continuando uma tendência que começou, de fato, com a renúncia de Willy Brandt em 1987.

Entretanto, desta vez a crise não se concentra somente no seu presidente demissionário, mas na própria diretriz do partido que perdeu seus contornos dentro de uma grande coalizão e, com 27% da preferência eleitoral, passou a atingir baixíssimos índices de popularidade.

Nem a aliança CDU/CSU, parceira de coalizão do SPD, está contente com esta situação, como declarou nesta segunda-feira (10/04) o presidente da União Social Cristã (CSU), Edmund Stoiber, ao manifestar seu desejo de novas diretrizes para o SPD. O ocaso do SPD também prejudicaria a própria coalizão.

Glück Auf

Antes de renunciar, Platzeck perdeu a audição

Com a renúncia de Platzeck, morre uma esperança de renovação do SPD. A aclamação de Kurt Beck como seu novo presidente, um político pragmático e próximo ao povo, pode dar uma nova diretriz ao partido, posicionando-o melhor dentro da grande coalizão. Entretanto, desconfia-se que Beck não seria um bom candidato à chancelaria federal em 2009 e representaria, pelo seu perfil, um retrocesso no desenvolvimento da social-democracia na Alemanha.

Opiniões como estas também são compartilhadas pela mídia alemã e européia:

Der Tagesspiegel

O taz afirma, em sua edição de hoje, que ninguém imagina Kurt Beck como candidato ao cargo de chanceler federal em 2009, porém não se tem outra alternativa. Entretanto, ninguém duvida que ele, com o seu jeito de pai-presidente, deverá conseguir devolver ao SPD a perdida orientação política.

O diário berlinense salienta ainda que as razões pelas quais Platzeck deixou a presidência social-democrata após 146 dias de mandato foram diversas das de seus antecessores, como Rudolf Scharping, que teve que deixar a presidência após um golpe interno em 1995, ou Franz Müntefering, após a derrota das eleições estaduais na Renânia do Norte-Vestfália, no ano passado.

Financial Times Deutschland

O Financial Times alemão aponta o descontentamento da própria aliança CDU/CSU, a companheira do SPD na coalizão entre social-democratas, democrata-cristãos e social-cristãos. O jornal comenta o esfacelamento do SPD, cujo processo de identificação e autodescoberta ainda causará problemas, o que prejudicará alguns projetos governamentais.

Tages-Anzeiger

Beck hält sich bereit

Para o jornal suíço, Beck é tradicionalista

O jornal suíço Tages-Anzeiger, de Zurique, comenta que entre os social-democratas a crise já é normalidade e que Kurt Beck seria alguém que fala, em primeiro lugar, sobre justiça, em segundo lugar sobre igualdade social e em último lugar sobre reformas. Ele seria um dos remanescentes da velha guarda do SPD, que saberia acalmar companheiros insatisfeitos. Esta arte, entretanto, traz consigo o risco de o partido se perder na tradição em vez de se desenvolver, afirma o diário.

Münchner Merkur

O diário de Munique confirma que, desde Willy Brandt, há um troca-troca de presidentes do SPD. Com exceção de Hans-Jochen Vogel e Johannes Rau, o final de cada mandato presidencial não teve final feliz. Engholm foi envolvido no caso Barschel, Scharping sofreu um golpe interno, Schröder tornou-se vítima do fato de estar na posição errada e Müntefering caiu pela deslealdade da esquerda. O jornal salienta a falta de entendimento entre o partido e sua direção.

Frankfurter Allgemeine Zeitung

O FAZ destaca a retomada de força da antiga ala do partido com Kurt Beck. O jornal conservador destaca a correta decisão do SPD que, além de resolver a crise de forma eficiente, aumentou o flanco no ataque contra o seu maior inimigo político.

Com Beck, anuncia o FAZ, o problema da rivalidade entre o presidente e seu vice parece não mais existir, uma rivalidade que se acirrou com a vitória de Beck nas eleições estaduais de março passado. Platzeck seria muito inexperiente e com poucas raízes no SPD e na política da antiga Alemanha Ocidental, ele não seria a pessoa certa para tirar o seu partido do buraco, afirma o jornal.

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