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Mundo

500 alemães se voluntariam para combater o ebola na África

Após convocação da ministra da Defesa, centenas de funcionários das Forças Armadas da Alemanha colocam-se à disposição para ajudar na luta contra o vírus no oeste africano. Epidemia já deixou cerca de 2.800 mortos.

"É um grande sinal da disposição de ajudar", disse nesta terça-feira (23/09) a ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, sobre a rápida reação de funcionários das Forças Armadas do país a um chamado para combater o ebola. Somente nas primeiras 24 horas após a convocação, cerca de 500 interessados em auxiliar na luta contra a epidemia na África Ocidental se alistaram, afirmou a ministra ao tabloide alemão Bild.

Entre os voluntários estão pessoas de todos os departamentos das Forças Armadas, além de alguns reservistas e até civis. Von der Leyen adiantou, porém, que ainda seria necessário analisar os conhecimentos de cada voluntário e como eles poderiam entrar em ação o mais rápido possível.

A ministra havia pedido a médicos e enfermeiros militares e também a profissionais de logística que se juntassem à luta contra o vírus. "A epidemia não só afeta a segurança e estabilidade da África Ocidental, mas tem cada vez mais uma dimensão global", disse Von der Leyen, justificando o pedido por apoio.

Os voluntários devem ser treinados num curso especial para operações em regiões de crise. A ministra prometeu assistência médica adequada, um bônus financeiro e um prazo definido de tempo de trabalho na África. Além disso, deve ser garantido que, em caso de infecção, os voluntários possam ser transportados o mais rápido possível de volta à Alemanha.

Bundesverteidigungsministerin Ursula von der Leyen

Von der Leyen: "Epidemia tem cada vez mais uma dimensão global"

Reações divergentes

O especialista em defesa da União Social Cristã (CSU), Florian Hahn, criticou as ações da ministra. "Gostaria de saber se esta é agora a nova prática no Exército: Afeganistão, Mali ou Kosovo – quem quer ir junto?", indagou o político do partido que integra a coalizão de governo de Merkel.

Já do lado dos social-democratas, houve ressonância positiva. Ao jornal Mitteldeutsche Zeitung, o porta-voz da política de Defesa do grupo parlamentar do SPD, Rainer Arnold, disse que "prestar ajuda humanitária no mundo não é uma tarefa prioritária das Forças Armadas". Por isso, segundo Arnold, é correto que a participação de soldados nesse tipo de missão não seja obrigatória, mas voluntária.

A organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras saudou o apoio militar alemão ao combate ao ebola, mas criticou o governo federal por ter reconhecido a gravidade da situação apenas agora.

70% dos infectados morrem

Nesta terça-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o número de infectados pelo ebola pode subir para

20 mil até novembro

se as medidas adequadas para combater o vírus não forem tomadas. As projeções foram publicadas no The New England Journal of Medicine. Cerca de 5.800 casos da doença já foram confirmados na epidemia atual.

Além disso, a análise dos infectados sugere que a taxa de mortalidade está mais elevada do que a comunicada anteriormente. Os novos dados da OMS indicam que 70% – e não 50% – dos infectados pelo vírus na África Ocidental morreram. Até agora, o surto matou cerca de 2.800 pessoas.

PV/dpa/rtr/afp

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