1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Calendário Histórico

1972: Ativista negra Angela Davis é absolvida nos EUA

Em 4 de junho de 1972, a ativista negra norte-americana Angela Davis foi absolvida da acusação de sequestro seguido de assassinato. A sentença da Justiça de San José, na Califórnia, não passou de formalidade.

default

Angela Davis em foto de 1973

Durante o julgamento de três adolescentes negros, em 1970, quatro ativistas ligados aos Panteras Negras haviam invadido o tribunal de San Rafael para libertar seus "irmãos de raça" (os Soledad Brothers). Tomaram o juiz, um promotor e dois jurados como reféns. A polícia abriu fogo e, no tiroteio, morreram o juiz, um jurado e três ativistas negros. Angela Davis não estava no local do crime, mas uma arma usada no tiroteio estava registrada em seu nome.

Angela Yvonne Davis, uma das mais conhecidas defensoras dos direitos dos negros nos Estados Unidos, teve uma carreira excepcional. Nascida a 26 de janeiro de 1944 em Birminghan (estado do Alaabama), frequentou um colégio particular para negros em Nova York e obteve uma bolsa de estudos da Universidade de Massachussetts.

Estudou literatura francesa e, mais tarde, concluiu pós-graduação na Universidade de Sorbonne, em Paris. Na Califórnia, foi aluna de Herbert Marcuse (1898-1979) – ligado à Escola de Frankfurt –, que a aconselhou a estudar na Alemanha. Angela seguiu então para a Universidade Goethe (Frankfurt), onde estudou profundamente o comunismo e as obras de Karl Marx com Theodor Adorno (1903-1969) e Jürgen Habermas.

Voltou aos Estados Unidos, em 1968, quando o país era sacudido por tumultos raciais, e ingressou no Partido Comunista norte-americano (PCUSA). Tornou-se professora assistente de Filosofia na Universidade de Berkeley, mas viu-se cercada de inimigos.

Expulsão por ser comunista

O então governador anticomunista da Califórnia, Ronald Reagan, tentou de qualquer jeito forçar sua demissão. Sua competência como professora nunca foi questionada no meio acadêmico. Mesmo assim, ela foi demitida do cargo em 1969, por causa de sua vinculação ao partido.

Expulsa da universidade, Davis intensificou sua militância política e acabou sendo envolvida no sequestro de 1970. Seu amigo Jonathan Jackson, de 17 anos, líder dos sequestradores, morto no tiroteio com a polícia, portava uma arma registrada no nome da filósofa. Foi um pretexto perfeito para a Justiça mandar prender a ativista negra, conhecida por sua luta pela libertação de presos políticos. A promotoria pública acusou-a de cumplicidade no sequestro e formação de quadrilha. O FBI colocou-a na lista dos dez criminosos mais violentos dos EUA. Davis sumiu na clandestinidade.

Presa pelo FBI em Manhattan, passou 16 meses em prisão preventiva. Um movimento de solidariedade internacional levantou fundos para sua defesa. Em meio à Guerra Fria, o processo teve repercussão mundial por envolver uma comunista assumida. Embora os jurados fossem todos brancos, a ativista negra foi absolvida a 4 de junho de 1972.

Em meados dos anos 1970, Davis voltou a lecionar. Ganhadora do Prêmio Lenin, retornou às manchetes em 1980, quando se candidatou à vice-presidência dos Estados Unidos. Ela abandonou o Partido Comunista, mas continua atuando em movimentos contra o racismo e a repressão política. Além disso, escreve livros, faz conferências e se engaja a favor das mulheres negras.