1958: Golpe militar contra a monarquia do Iraque | Os acontecimentos que marcaram o dia de hoje na História | DW | 14.07.2011
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Calendário Histórico

1958: Golpe militar contra a monarquia do Iraque

Em 14 de julho de 1958, o Exército iraquiano se levantou contra a monarquia. Os golpistas proclamaram a república. O novo poder instalou-se com um banho de sangue: rei, príncipe e primeiro-ministro foram assassinados.

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Multidão celebra a derrubada da monarquia

O fim da monarquia iraquiana foi anunciado com antecedência. Às 6h30 de 14 de julho de 1958, o general Abdel Salam Aref comunicou pela Rádio Bagdá a morte da monarquia e o nascimento da república. Uma hora depois, a declaração tornava-se realidade. Após breve tiroteio, os rebeldes invadiram o Palácio Rihab, onde se encontravam o jovem rei Faisal II, seu tio Abdal Ilah, considerado a "eminência parda" da monarquia, e outros membros da família real.

Banho de sangue

Quebrada a resistência, a família real seguiu a ordem dos invasores de reunir-se no pátio. A realeza esperava que, com esse gesto de submissão, obteria salvo-conduto para fugir para o exílio, mas foi executada numa salva de tiros de metralhadoras. A única sobrevivente foi a princesa Hiyam, que havia voltado ao palácio e mais tarde obteve a permissão dos rebeldes para exilar-se na Arábia Saudita.

Pouco antes do massacre no Palácio Rihab, os revoltosos haviam atacado a mansão do primeiro-ministro Nuri al-Said, à beira do Rio Tigre. O político conseguiu fugir, atravessando o rio, e desapareceu nos becos de Bagdá. No dia seguinte, foi reconhecido, vestido de mulher, quando tentava fugir para o Irã. Foi cercado e linchado em plena rua por uma multidão revoltada.

Após o assassinato da família real e do odiado chefe de governo, os "oficiais livres" haviam atingido seu objetivo: libertar o Iraque da influência estrangeira, a começar pela eliminação dos seus vassalos locais. Eles seguiam o exemplo da revolução do Egito, onde, quatro anos antes, "oficiais livres" liderados por Gamal Abdel Nasser haviam derrubado o rei e tomado o poder.

Contra a influência britânica

Como no Egito, os golpistas do Iraque queriam acabar com a influência britânica e eliminar a corrupção, que agravava a pobreza numa velocidade assustadora para um país tão rico em petróleo. Em 1958, um reduzido número de latifundiários controlava 67% do território, enquanto milhões de pequenos agricultores partilhavam os 15% restantes das terras cultiváveis.

À semelhança do que ocorrera no Egito, bem antes do golpe os "oficiais livres" já haviam ocupado posições chaves no esquema de poder do Iraque, sem terem sido notados pela casa real ou pelo desconfiado primeiro-ministro.

Como aliado dos ingleses, Nuri contrariava cada vez mais os anseios da população. O chefe de governo iraquiano foi um dos principais idealizadores do Pacto de Bagdá, através do qual ingleses e norte-americanos tentaram mobilizar o mundo árabe contra as ambições soviéticas na região – embora com êxito apenas limitado.

Em contrapartida, no Cairo, o presidente Nasser fechou acordos com Moscou que lhe garantiram o fornecimento de armas e a construção da represa de Assuã. Este projeto deveria ser financiado pelo Ocidente, mas isso mudou com o fornecimento de armas soviéticas ao Egito. Em 1956, quando ingleses, franceses e israelenses se uniram para atacar o Egito, esses países passaram a ser rejeitados em quase todo o mundo árabe, inclusive no Iraque.

O rei Faisal II era considerado um dominador estrangeiro por dois motivos: primo do rei Hussein, da Jordânia, era oriundo da Arábia Saudita e tinha sido alçado ao poder pelos britânicos. Além disso, o Pacto de Bagdá contrariava os interesses do povo iraquiano, por unir o país à Turquia e ao Irã, opondo-o ao movimento pan-árabe, liderado pelo Egito.

Sonho vão

Em alguns pontos, porém, o golpe iraquiano divergiu da revolução egípcia: o grupo de oficiais liderados pelo general Abd al-Karim Qasim não era tão numeroso e organizado quanto o de Nasser. Qasim mais tarde seria derrubado e sucedido por Abdel Salam Aref. O golpe só pôde ser dado com tanta facilidade em decorrência da incrível ingenuidade da nova classe dominante.

Os rebeldes instalaram um regime nacionalista de esquerda, romperam a aliança com a Jordânia e abandonaram o Pacto de Bagdá. O plano de unir-se à Síria e ao Egito fracassou, tanto quanto a esperança de conduzir o Iraque a um futuro livre.

Qasim foi derrubado por Aref e este por Ahmad Hasan Al-Bakr que, por sua vez, foi deposto por Saddam Hussein num golpe palaciano, em 1979.