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Calendário Histórico

1948: Fundação da Universidade Livre de Berlim

No dia 4 de dezembro de 1948, poucos anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, Berlim ganhou uma segunda universidade, que foi produto da Guerra Fria e da divisão da capital alemã.

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Inauguração da Universidade Livre de Berlim, no Titania Palast

Fundada em 1948, a Universidade Livre de Berlim pode não ter tanta tradição como outras escolas superiores na Europa, com séculos de história. Mas é a maior das três universidades da capital alemã e tem uma particularidade: a de ter sido um produto da Guerra Fria, que deixou suas marcas em Berlim mais que em qualquer outra cidade do mundo.

Com a capitulação alemã e o fim das lutas na capital, em 2 de maio de 1945, a maior parte dos prédios da antiga Universidade Friedrich-Wilhelm ficara no setor ocupado pelos soviéticos.

Os aliados ocidentais só chegaram meses depois e acabaram aceitando o que os soviéticos decidiram em relação à universidade, refundada em 1946, sob o nome Humboldt Universität. Ela ficou subordinada à Administração de Educação Popular da Zona Soviética, com o que escapou da influência dos aliados ocidentais, que tinham algo a dizer em Berlim.

Protestos contra o dogmatismo

O uso político que os soviéticos fizeram da Humboldt Universität acabou dando origem a protestos que culminaram na fundação da Universidade Livre de Berlim, em dezembro de 1948. Os estudantes entraram em conflito com a administração da universidade por dois motivos: a doutrinação marxista e os critérios de escolha dos candidatos às vagas.

No tocante ao primeiro item, o que mais chocou não foi a rígida estruturação dos currículos, mas o dogmatismo dos cursos de "Introdução à Realidade Política e Social da Atualidade".

Tais seminários, que nada tinham a ver com as disciplinas, eram ministrados por membros do novo Partido do Socialismo Unificado (SED), que resultara da junção forçada do Partido Social Democrático da zona soviética com o Partido Comunista (KPD).

Se bem a juventude do pós-guerra estivesse aberta ao marxismo, recusava-se a aprendê-lo "na marra", e muitos não gostaram que sua universidade se transformasse numa escola de formação de quadros para o partido.

Ex-inimigos não podiam estudar

Diante do excesso de candidatos para as poucas vagas, a admissão se guiava por critérios políticos, que procuravam "filtrar os inimigos", isto é, ex-soldados do Exército alemão, pessoas que exercerem cargos importantes nas diversas organizações ligadas ao partido nazista (NSDAP), membros desse partido ou seus parentes próximos.

Por outro lado, quem tivesse esse tipo de "mancha" no passado, podia apagá-la entrando para o partido unificado SED, a organização da juventude comunista (FDJ) e outras. Também foram favorecidos os estudantes de origem proletária.

Os primeiros protestos surgiram já em 1º de maio de 1946, quando foram exibidas na universidade as bandeiras das novas organizações que representavam o poder no leste de Berlim. Em 1947 também houve prisão de estudantes rebeldes, alguns condenados a altas penas de prisão.

Expulsão de estudantes: gota d'água

Mas a ideia de fundar outra universidade na parte da cidade controlada pelos aliados ocidentais só tomou contorno com a expulsão de três estudantes que, em 16 de abril de 1948, criticaram a posse do novo reitor da Universidade Humboldt, na revista Colloquium.

A grande mobilização que a expulsão desencadeou, acelerou os acontecimentos, embora não houvesse um conceito claro de como deveria ser a nova universidade "livre", na futura Berlim Ocidental.

Em apenas sete meses, os alemães se entenderam com os aliados ocidentais, o financiamento inicial foi liberado, despachadas as decisões políticas, criou-se uma base legal, foram tomadas as providências organizacionais para contratação do corpo docente e definidos os critérios para admissão de estudantes. Em 15 de novembro de 1948, ela começou a funcionar, sendo inaugurada solenemente em 4 de dezembro.